Na medida em que os nomes da equipe são definidos, a influência da primeira-dama, Janja da Silva, na campanha à reeleição de Lula se desenha bem menor do que foi em 2022, quando a socióloga casou com o então candidato e opinava em quase todas as áreas – “até nas que nada entendia”, como define um petista do núcleo mais próximo do presidente.

Neste ano, pessoas ligadas à primeira-dama estavam cotadas para ocupar algumas frentes da campanha, mas as funções acabaram distribuídas a outros profissionais. Assim, o poder de Janja ficou mais limitado.

As redes sociais estarão sob o comando de Nicole Briones, mulher do secretário pessoal de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e responsável pela agenda do presidente. Briones desbancou a publicitária Brunna Rosa, protegida de Janja.

Na campanha, quem cuidará da agenda do candidato à reeleição será o ex-ministro Gilberto Carvalho, que era grande amigo de Marisa Letícia, mulher de Lula que morreu em 2011. No atual mandato, Gilberto, que segundo pessoas com bom trânsito no Planalto não é muito querido por Janja, ficou distante do presidente.

Espaço limitado
Outra área em que a influência de Janja ficou mais limitada é a jurídica. Petistas dizem acreditar que o movimento do presidente do PT, Edinho Silva, ao nomear Pierpaolo Bottini e Angelo Ferraro para coordenar esse setor, tem o propósito de frear a influência da primeira-dama. Marco Aurélio de Carvalho, um dos cabeças do grupo Prerrogativas, que é muito próximo de Janja e acabou aceitando o pedido de Lula para ir para São Paulo e fazer a interface da campanha de Haddad com a campanha nacional.

Entre dirigentes do partido, alguns deslizes recentes da primeira-dama acenderam um alerta. Um dos últimos foi a divulgação de um vídeo, gravado na Granja da Torto, com Janja cozinhando carne de paca para o presidente. O animal é protegido pelas leis ambientais e o consumo da carne só é permitido a criadores autorizados.

Hoje, petistas apostam que a influência da primeira-dama se restringirá à articulação com a classe artística. Essa área deve ficar sob a responsabilidade do secretário nacional de cultura, Márcio Tavares, do grupo de Janja.