Em uma sala de reunião apertada, sem telão, sem animador de plateia, sem pompa e com apenas dois militantes, Ronaldo Caiado confirmou nesta quarta-feira, 1º, o que já era esperado: Gilberto Kassab, presidente do PSD, será o candidato a vice na chapa presidencial.
Em menos de 40 minutos, com discursos breves, a cerimônia terminou.
“O Brasil que a gente quer Goiás já é”, gritou um dos presentes, no momento de maior entusiasmo da manhã.
“Arrocha, Caiado”, emendou outro, sem conseguir contagiar o restante da plateia formada basicamente por jornalistas.
Parlamentares do PSD já sabiam que a chapa seria puro-sangue. A falta de novidade talvez tenha afastado governadores da legenda. Raquel Lyra (Pernambuco), Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) alegaram conflitos de agenda. O único governador do PSD presente foi Marcos Rocha, de Rondônia — apareceu também o governador de Goiás, estado de Caiado, Daniel Vilela, que é filiado ao MDB.
Na véspera, o líder da bancada do PSD na Câmara, Antonio Brito, enviou uma mensagem ao grupo de deputados pedindo que todos comparecessem. Nem 10 dos 48 parlamentares da bancada acataram. Dos 14 senadores da legenda, dois participaram: Vanderlan Cardoso, conterrâneo de Caiado, e Carlos Viana, de Minas Gerais.
“A chapa está posta. Tenho certeza, Kassab, de que nós vamos governar este país”, afirmou Caiado. “Não se escolhe vice para tirar foto, mas para governar de mãos dadas”, acrescentou, ao lado da esposa, Gracinha Caiado, pré-candidata ao Senado.
Sem pontuar bem nas pesquisas até aqui, Caiado voltou a apostar em um eventual segundo turno.
“Se chegarmos ao segundo turno, teremos o voto dos independentes. Nós ganharemos e bateremos o Lula.”
Na sequência, alfinetou Flávio Bolsonaro:
“Se o Flávio chegar, com todo o respeito que ele merece, nós sabemos que é tudo o que o Lula quer.”
Caiado e Kassab trataram de afastar qualquer dúvida sobre a candidatura.
“Vamos eleger Ronaldo Caiado presidente do Brasil”, disse o presidente do PSD, lembrando que o partido foi fundado, há 15 anos, naquele mesmo espaço, no 11º andar de um prédio comercial de Brasília colado à Esplanada.
“O dia de hoje consolida o projeto do PSD, que está preparado para dar as respostas que a sociedade precisa. A República está podre”, afirmou.
Depois de apostar, em 2022, na candidatura presidencial de Rodrigo Pacheco — projeto que não prosperou —, Kassab agora deposita fichas na capilaridade do PSD, partido com o maior número de prefeitos do país, e nas crises da pré-campanha de Flávio Bolsonaro para tentar tornar Caiado competitivo.
“Estamos assumindo um compromisso para valer. Acreditamos em um Brasil melhor”, repetiu Kassab, pouco depois, durante almoço com empresários, ainda em Brasília, promovido pela Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo. Na ocasião, ele se comprometeu com um texto que estabelece metas para elevar a taxa de investimento, reduzir o Custo Brasil e colocar o país entre as 30 economias mais competitivas do mundo até 2030. “Temos, tranquilamente, condições de assumir todos esses compromissos.”