As considerações feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas redes sociais sobre as eleições no Brasil preocupam o governo Lula neste momento em que o petista se prepara para a campanha pelo quarto mandato. Entre outros pontos, Trump diz que a disputa presidencial no Brasil é seu “próximo desafio”.

No texto, originalmente publicado pelo site norte-americano Newsmax, o presidente americano sustenta que as vitórias de candidatos conservadores na América Latina ocorreram por sua influência. Ele também colocou em dúvida o sistema eleitoral brasileiro. As postagens foram feitas uma semana depois que Lula alertou Trump para “não se meter” nas eleições no Brasil.

Na avaliação de integrantes do PT, a influência pode se dar, por exemplo com declarações públicas em favor do principal adversário de Lula, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que viajará para os Estados Unidos com o objetivo de participar de uma audiência pública sobre o tarifaço em 6 de julho. Flávio quer ser o portador de um pedido para que Trump suspenda as sobretaxas às exportações brasileiras. Se obtiver sucesso, o senador venderá a imagem de negociador mais hábil com os EUA do que Lula.

Governistas também temem manipulações na área digital para entrega de conteúdo contrário a Lula. Mas, nesse ponto, eles avaliam que seria difícil enfrentar esse tipo de interferência.

Organizações criminosas
Petistas identificaram uma estratégia casada entre o governo americano e a campanha de Flávio. Nesta terça-feira, 23, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), em declaração no Salão Verde da Câmara, disse que pedirá informações ao governo dos EUA sobre eventuais investigações envolvendo partidos de esquerda da América Latina e organizações criminosas.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) classificou de “muito grave” as declarações de Trump que retomam os questionamentos sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro, suspeita levantada por Jair Bolsonaro (PL-RJ) quando era presidente e que embalou as narrativas para justificar a tentativa de golpe de Estado.

Lula pretende se contrapor a essa estratégia adotando o discurso da soberania como fio condutor nesta eleição. Um discurso que tende a se radicalizar ao longo da campanha, na medida em que Flávio também opte por aprofundar a parceria com o governo americano.