A viagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China na semana passada suscitou debates sobre o que o Brasil tem a ganhar ou a perder com uma eventual aproximação de seus dois principais parceiros comerciais, que formam os dois polos do eixo econômico mundial. Nesse contexto, ganhara tração as preocupações com a exploração das terras raras e minerais críticos e, também, em relação à exportação da carne brasileira para as duas potências.
O presidente Lula preferiu adotar o discurso apaziguador e defender a exploração de minerais e terras utilizadas para novas tecnologias em um caminho mais plural para os produtos brasileiros. Freou, assim, as tentativas anteriores dos Estados Unidos de fazer um acordo que impedia o Brasil de negociar com outros países. O petista viu no encontro de Trump e Xi Jinping a oportunidade de reforçar o discurso em favor da soberania.
“Nós não temos veto a ninguém, nós não temos preferência por ninguém. Aqui pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano. Pode vir quem quiser, desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania”, disse Lula. “Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas, e a gente quer explorar aqui dentro”, acrescentou o presidente ao discursar em Campinas (SP), nesta segunda-feira, 18.
Redução do rebanho
Em relação à carne brasileira, importante no cardápio de exportações para a China, o governo Lula também preferiu não criticar a renovação da habilitação de centenas de frigoríficos dos Estados Unidos para exportação de carne bovina ao país asiático, um movimento que sinaliza reaproximação comercial entre as duas potências e pode alterar o fluxo global do mercado. “Não temos cifras precisas, mas não precisamos nos preocupar com isso no curto prazo”, disse um membro do governo.
A avaliação, nesse primeiro momento, é de que a aproximação comercial entre os dois gigantes da economia mundial não terá tanto impacto para as exportações brasileiras para a China, visto que os Estados Unidos tiveram uma queda brutal no rebanho nos últimos anos, chegando no inicio de 2026 no menor nível de cabeças em 75 anos. “Se eles exportarem o que têm para a China, haverá crise no abastecimento. Eles não têm nem para o consumo interno”, avaliou um membro do governo diretamente ligados às negociações com os norte-americanos.