As bancadas do PT na Câmara e no Senado querem aproveitar as notícias que ligam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro para pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a ler em plenário o requerimento de criação da CPI Mista para investigar as ligações do dono do banco Master com políticos. A aposta é de que a CPI, pedida inicialmente pela oposição, pode ser um palanque ideal para desgastar a imagem do senador, hoje o pré-candidato mais bem colocado na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tentará a reeleição. 

A ideia é fazer barulho, tanto nos plenários da Câmara e do Senado quanto nas redes sociais, para ampliar o impacto da notícia publicada pelo site The Intercept, de que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teria negociado com Vorcaro um financiamento de 24 milhões de dólares — cerca de R$ 134 milhões à época — para a produção de Dark Horse, um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), considerou que os diálogos divulgados pelo site denotam “intimidade, dependência financeira e cobrança por repasses”. Isso, de acordo com o líder, teria ficado explícito na conversa mantida pelo senador com o banqueiro em novembro do ano passado, um dia antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal. No áudio, Flávio chama Vorcaro de “irmão” e manifesta a estreita ligação entre os dois: “Estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz”.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ0, vice-líder do governo na Câmara, defendeu a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro. Essa posição, no entanto, não foi discutida com a bancada.