Às vésperas do recesso parlamentar, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), esperava ter um caminho mais pavimentado para sua reeleição como deputado federal e para levar o seu pai, Nabor Wanderley (ex-prefeito de Patos), para uma vaga ao Senado. Motta, no entanto, precisa lidar com dois problemas difíceis de resolver, um de ordem jurídica e outro de cunho eleitoral.

As decisões do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), de bloquear os bens de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e de Eduardo Cunha (Republicanos), deputado cassado e ex-presidente da Câmara, colocaram Motta no centro das apurações que tratam da transparência na distribuição das emendas. Motta recebeu 10 dias de prazo para explicar como políticos sem mandato davam as ordens sobre o destino dos recursos.

Na semana passada, ao se posicionar em relação ao bloqueio de bens de Costa Neto, o presidente da Câmara reclamou da atitude do ministro apontando “indevida intervenção judicial” nos trabalhos legislativos e tentativa de “criminalizar” a política. Diante da segunda medida, tomada contra Cunha, Motta se calou.

O fato é que os bloqueios colocam Motta na mira do STF sob a suspeita de que ele avalizava as ordens sobre as emendas. Além disso, o ministro estranhou o fato de Motta não ter demitido a funcionária Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, que colocava em prática as indicações dos dois políticos.

Nabor Wanderley
Motta encerrou o primeiro semestre se colocando como aliado de Lula e marcando, com essa posição, um contraponto em relação ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), rompido com o petista desde que impôs derrotas como a rejeição do nome do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) para a vaga no Senado. O presidente da Câmara, ao contrário, entregou ao governo a votação da proposta que prevê o fim da jornada 6×1, prioridade de Lula.

Nessas circunstâncias, Motta esperava maior reconhecimento e mais empenho do petista na pré-campanha de Nabor Wanderley (Republicanos), seu pai, candidato ao Senado na Paraíba. O presidente da Câmara chegou a fazer vistas grossas quando Lula gravou um vídeo em apoio ao senador Veneziano Vital do Rego, que concorre com Wanderley. Agora, a depender do rumo das investigações, o apoio ostensivo de Lula fica ainda mais difícil, caso o petista avalie que pode perder votos com a proximidade de Motta.