No mercado é dado como certo que o Copom (Comitê de Política Monetária) reduzirá os juros em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, na reunião do colegiado nesta quarta-feira, 29. Entretanto, os próximos passos que serão dados pelos diretores do Banco Central são incertos diante das indefinições do cenário externo e das pressões inflacionárias.
A guerra no Oriente Médio é o principal obstáculo para a equipe de Gabriel Galípolo, pelo encarecimento significativo do petróleo, dos combustíveis e dos fertilizantes. Essa realidade desancorou as expectativas de inflação e aumentou os resultados recentes do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
O economista-chefe da XP, Caio Megale, afirmou que o comunicado da reunião do Copom desta semana tende a ser mais duro do que o anterior e deve reforçar a necessidade de uma condução cautelosa da política monetária para mitigar efeitos de médio prazo decorrentes dos choques inflacionários.
“Mas não a ponto de sinalizar uma possível interrupção do ciclo de calibração no curto prazo. Projetamos a taxa Selic em 13,50% ao final de 2026. Após o corte de 0,25 ponto percentual, nesta semana, prevemos duas reduções de 0,50 ponto percentual em junho e agosto, assumindo que as tensões no Oriente Médio se dissipem e os preços do petróleo retornem à faixa de 80–90 dólares por barril. Na sequência, esperamos uma pausa para avaliação durante o período eleitoral”, disse.
Entretanto, diante das incertezas e dos riscos inflacionários já relevantes, ele afirmou que aumenta a probabilidade de cenários alternativos em que o Copom mantenha o ritmo modesto de cortes, de 0,25 ponto percentual, ou interrompa o ciclo antes do esperado.