A ruidosa comunicação do Copom (Comitê de Política Monetária) da última quarta-feira, 17, quando reduziu os juros para 14,25%, continua a repercutir negativamente na credibilidade do Banco Central e nas expectativas de mercado para a inflação e para os juros. 

O relatório de mercado Focus registrou elevação nas expectativas para a inflação neste e nos próximos dois anos. Para 2026, a mediana das expectativas subiu de 5,30% para 5,33%. Para 2027, a projeção aumentou de 4,10% para 4,15%. Para 2028, a estimativa subiu de 3,68% para 3,70%. 

Além disso, o que já era realidade nas projeções dos maiores bancos e corretoras do país, apareceu pela primeira vez no Focus: a mediana das expectativas para a Selic no fim deste ano subiu de 13,75% para 14%. Significa dizer que o mercado não acredita que haverá espaço para cortes de juros depois da reunião do Copom de agosto. 

O temor entre investidores, economistas e analistas é de que a gestão de Gabriel Galípolo insista em reduzir a Selic depois da próxima reunião do colegiado, o que seria interpretado como uma guinada na condução da política monetária.