O varejo farmacêutico brasileiro segue em expansão, mas o crescimento tem se concentrado nas grandes redes, enquanto pequenas e médias empresas enfrentam dificuldades para sustentar suas operações, segundo fontes do mercado. Levantamentos que circulam no mercado indicam que o segmento movimentou cerca de R$ 158 bilhões em 2024, com crescimento de 12,1% em relação ao ano anterior.
Apesar do resultado, representantes do setor afirmam que a expansão não tem sido distribuída de forma equilibrada entre os diferentes perfis de empresas. Entre pequenos e médios players, porém, o crescimento ficou em 5,5%, ampliando a diferença em relação às grandes redes.
Indicadores da consultoria Close-Up International apontam que o ritmo de abertura de farmácias caiu nos últimos anos. O número de inaugurações no país passou de cerca de 11,1 mil unidades em 2022 para 6,7 mil em 2025, uma redução de 39,3%. No mesmo período, 9,8 mil lojas encerraram as atividades, volume que superou pela primeira vez o total de novos pontos de venda abertos.
Na prática, isso significa que aproximadamente 14 farmácias foram fechadas para cada 100 inauguradas ao longo de 12 meses. O movimento tem afetado principalmente pequenas e médias redes. Em quatro anos, esse grupo reduziu sua presença de 7.537 para 6.551 unidades. As farmácias independentes também registraram saldo negativo de 1.567 lojas no período, embora ainda mantenham mais de 56 mil unidades em operação no país, de acordo com dados do setor.
Segundo executivos do setor, redes de grande porte continuam ampliando presença e ganhando escala, enquanto grupos que reúnem farmácias independentes para negociar compras e serviços de forma conjunta, também avançam. Fora desses dois polos, porém, cresce a pressão sobre pequenos negócios, especialmente farmácias de bairro e redes regionais, que enfrentam dificuldades para competir em preço, logística e acesso a fornecedores.
