A semana termina sem o STF decidir nada sobre nada.
Na sessão de 15 de setembro, os ministros proporcionaram um show de horrores. E não houve qualquer decisão sobre o envolvimento de integrantes da Corte, principalmente Alexandre de Moraes, com Daniel Vorcaro.
O anúncio do reajuste do Bolsa Família às vésperas das eleições contribuiu, propositalmente ou não, para arrefecer o noticiário sobre o tema.
A inércia calculada de uma ala do Supremo animou a defesa do banqueiro, que tratou de apresentar à corte um novo pedido de soltura do cliente — embora não se saiba quem poderia analisar o caso, tamanha a confusão.
Em Brasília, já se fala que a tática é esperar passar a eleição para, então, negociar a situação com quem for eleito, dando um jeitinho de acomodar todos os interesses para a vida seguir. Ignorar fatos e evidências até aqui e fingir que nada aconteceu, como já ocorreu num passado recente, não é algo descartado.
Por enquanto, jogar para frente — ou para nunca — a abertura de investigações contra ministros pode até transparecer um ar de vitória aos possíveis investigados. Mas haverá reações.
Um país que vê o crime organizado tomar conta das ruas e de instituições não aguenta uma escalada de impunidade neste nível.
É verdade que “até a máfia tem ética”. O preço disso, porém, é bem alto.

