Desafetos antigos na política do Distrito Federal, os ex-governadores José Roberto Arruda e Maria de Lourdes Abadia anunciaram reaproximação com vistas às eleições de outubro deste ano. A trégua ocorre após a ex-tucana confirmar filiação ao PSD, sigla pela qual Arruda pretende disputar a retomada do comando do Palácio do Buriti. A investida ocorre quase 17 anos após ele ter sido tragado pela Operação Caixa de Pandora, um dos maiores escândalos de corrupção do país e que tornou Arruda o primeiro governador do Brasil preso durante o exercício do mandato.
Com várias condenações em ações penais e de improbidade administrativa, Arruda tenta voltar ao Palácio do Buriti “pela porta da frente”. A expectativa do político se ancora na nova redação da Lei da Ficha Limpa, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O texto fixou em 8 anos o limite máximo de inelegibilidade para políticos condenados por atos registrados durante a gestão no Executivo, prazo contado a partir do dia da condenação ou da renúncia do acusado.
Arruda investe na interpretação literal da lei, mas há entendimentos de que o prazo começa a contar a partir de novas condenações, o que ocorre com o ex-governador. Em novembro de 2025, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) manteve a inelegibilidade de Arruda por 8 anos, além do pagamento de cerca de R$ 559 milhões de multa em mais um desdobramento da Caixa de Pandora.
Enquanto aguarda a palavra final do TSE, o ex-governador se movimenta para se viabilizar como o principal adversário de Celina Leão (PP), que assumirá o Buriti no próximo dia 28 e março, após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB) que disputará o Senado. Sem a máquina na mão, Arruda tenta atrair lideranças para o projeto pessoal, até mesmo as mais improváveis. Com a renúncia de Joaquim Roriz em 2006, quando concorreu ao Senado, a então vice-governadora recebeu a faixa para comandar o DF e disputar a reeleição.
Abadia perdeu a reeleição para o concorrente, ainda no primeiro turno, quando testemunhou traições de então aliados, vários nomeados no primeiro escalão, mas que passaram para o lado adversário. Desde então, a então governadora amargou seguidas derrotas eleitorais, muitas delas atribuídas a Arruda, maior desafeto político. Com a recente reaproximação, a primeira governadora reconhecida em Brasília pretende reforçar, em outubro deste ano, a vitória para ocupar uma cadeira de deputada federal, a mesma quando foi escolhida por Roriz para polarizar com Arruda, apesar das diferenças entre o rorizismo e o eleitorado apto brasiliense.