A ministra Cármen Lúcia chegou a um ponto em que já não consegue esconder as contrariedades com colegas do Supremo Tribunal Federal.
Hoje única mulher entre os 10 integrantes da Corte, ela tem se sentido atravessada por decisões e movimentos internos.
O julgamento sobre a situação política no Rio de Janeiro, na semana passada, foi encarado por ela como a “gota d’água”. Na ocasião, Cármen afirmou que a discussão no STF sobre o modelo de eleição para o governo do estado pode “deslegitimar” decisões do Tribunal Superior Eleitoral. No mesmo dia, antecipou o fim de seu mandato à frente da corte eleitoral.
Nesta sexta-feira, 17, durante palestra a estudantes de direito da Fundação Getulio Vargas, a ministra foi além: disse que a crise de confiabilidade do Judiciário é “séria, grave” e precisa ser reconhecida — não apenas por juízas e juízes. Também apontou a necessidade de entender por que e como o problema atinge, em especial, o Supremo.
Cármen tem se alinhado ao presidente da Corte, Edson Fachin, na defesa de um código de conduta interno. Até agora, porém, ambos têm sido derrotados.
Aos 71 anos, a ministra passou a flertar, nos últimos dias, com a possibilidade de aposentadoria. Entre colegas, a avaliação predominante é de que ela não deve levar a ideia adiante. Há quem veja o momento como de permanência, ainda que contrariada, justamente para participar de uma eventual reconfiguração de forças no tribunal.
Nos bastidores, os desdobramentos do caso Banco Master são encarados como uma possível oportunidade nesse sentido.