As revelações de que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), está envolvido no escândalo do banco Master levam à possível conclusão de que a instituição financeira liderada por Daniel Vorcaro e Augusto Lima respeitava a “lógica de mercado” de não ter uma ideologia política. Na prática, os dois negociavam favores e projetos de lei com todos os espectros da política brasileira: com a direita, de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com o Centrão, de Ciro Nogueira (PP-PI), e com a esquerda, de Wagner. 

A teia de corrupção apontada até aqui nos inquéritos conduzidos pela Polícia Federal e sob supervisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), mostra que tanto Vorcaro quanto Lima aproveitavam das conexões políticas que mantinham com parlamentares de diferentes legendas para defender seus interesses. Em troca, esses políticos receberam mesadas gordas, repasses duvidosos para produções cinematográficas, apartamentos milionários e até despesas custeadas em viagens internacionais ou em camarotes para shows de estrelas internacionais em outros países.

Para além da classe política, Vorcaro conseguiu o inédito feito de capturar os dois principais servidores do Banco Central responsáveis pela fiscalização direta do Master. Mais uma vez, o expediente usado pelo banqueiro preso foi o pagamento de valores vultosos. Nunca antes na história desse país um então diretor da autoridade monetária e um chefe do Departamento de Fiscalização foram envolvidos em um caso de corrupção. Os dois foram afastados dos cargos públicos, mas a fissura na credibilidade da autarquia é permanente. 

As poucas camadas do escândalo do banco Master descobertas até o momento indicam que Vorcaro e Lima mantinham relações pouco republicanas em todos campos políticos, em órgãos públicos nos quais mantinham interesses e, ao que parece, em tribunais superiores. Todos os fatos merecem ser rigorosamente investigados, julgados com imparcialidade e, os eventuais culpados, condenados de maneira rigorosa para que a permanente sensação de impunidade comum no Brasil comece a diminuir.