Os impactos da guerra no Oriente Médio na economia brasileira acenderam o sinal de alerta na equipe econômica e na ala política do governo. Se na semana passada a preocupação inicial era com os efeitos inflacionários com a disparada do preço do petróleo, o Ministério da Fazenda passou a ser alertado pelo setor privado sobre os riscos de desabastecimento de diesel e de fertilizantes para o agronegócio se o conflito não for encerrado rapidamente.

As tensões ganharam força após o preço do petróleo ultrapassar os US$ 120 nesta segunda-feira, 9. No fim dia, o valor voltou para abaixo de US$ 90 após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizar que a guerra “está praticamente encerrada”. Essa volatilidade também tem preocupado o governo o brasileiro diante da imprevisibilidade para a formação de preços.

Após o Irã anunciar que bombardearia navios que navegassem pelo estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica para o tráfego internacional de petróleo e gás, o preço da commodity disparou. Nas contas da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), a defasagem no preço da gasolina em R$ 1,22 e de R$ 2,74 no diesel, diante da política de reajustes da Petrobras que não repassa automaticamente as oscilações no valor da matéria-prima para o custo dos combustíveis.

No Brasil, já há notícias de falta de diesel no Rio Grande Sul, fato que pode afetar o processo de colheita de grãos, sobretudo do arroz. Caso isso se confirme, o cenário é de aumento de preços. Para piorar, com as restrições de tráfego marítimo em Ormuz, há risco para a oferta de fertilizantes. A produção de amônia e, por consequência, de ureia, dependem de gás natural. Com o fechamento da passagem, e se essa realidade se prolongar, a tendência é de elevação de custos e de falta de produtos.

Uma reunião entre o Ministério da Fazenda e a presidente da Petrobras, Madga Chambriard, é aguardada para esta semana para tratar do assunto. O governo quer evitar a politização de eventuais reajustes nos preços que possam ser explorados pela oposição em ano de eleição.