Em um só dia, o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiu destravar as votações mais importantes tanto para o governo quanto para a oposição, em uma cena que gerou desconfiança por parte dos parlamentares ligados ao Palácio do Planalto.

Alcolumbre não está nos melhores dias com o Planalto, não se reaproximou do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e também não tem mantido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma relação próxima, como foi no passado, antes de ser frustrado pela indicação do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) para a vaga do STF (Supremo Tribunal Federal) que ele pretendia dar a Rodrigo Pacheco, seu aliado político. Mesmo assim, em quatro dias, deu tratos à bola e destravou a indicação de Messias, enviada pelo Planalto na semana passada. 

Em relação à oposição, Alcolumbre convocou a sessão do Congresso destinada a apreciar o veto total de Lula à proposta que reduz penas dos condenados pelo STF pela tentativa de golpe de Estado, inclusive das punições aplicadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e toda cúpula do golpe condenada pela corte. 

A sabatina de Messias está marcada para o dia 29 de abril e a sessão do Congresso foi convocada para o dia seguinte. Com esse calendário, a mistura das duas discussões é inevitável, mas Alcolumbre pode justificar seus encaminhamentos como decisões que atendem aos dois lados da disputa política.

A tendência é que o veto seja derrubado, pois a proposta teve ampla aprovação tanto na Câmara quanto no Senado. Quanto à indicação de Messias, governistas têm dúvidas em relação à aposta de Alcolumbre, se o Senado aprovará ou rejeitará o nome indicado por Lula. 

Messias tem esboçado disposição e otimismo na busca de apoio. Na noite desta quarta-feira, ele saiu animado de um jantar em Brasília que teve cerca de 40 senadores presentes. Após a definição do calendário, ele informou ter recebido como uma notícia positiva a realização da sabatina. “Com otimismo e serenidade, recebo o calendário estipulado pelo Senado Federal para a realização de minha sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Agradeço ao presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, ao presidente da CCJ, senador Otto Alencar, e ao relator do processo, senador Weverton Rocha, o envio e o trâmite da mensagem presidencial. Até a data da sabatina, permanecerei buscando o diálogo franco e aberto com todos os 81 senadores, de forma respeitosa, transparente e propositiva”, disse o ministro.