O presidente Lula inicia a semana ainda sob o impacto das revelações das ligações do senador Jaques Wagner (PT-BA) com Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. O desgaste para o Planalto e para a campanha de Lula provocado pelas investigações da Polícia Federal torna incerta a permanência de Wagner na função de líder do governo no Senado.
Amigo de Lula há 40 anos, o senador nega as acusações de favorecimento em troca de atuar em favor do banco Master. As explicações foram insuficientes até para setores do PT, que apontam a renúncia de Wagner como a melhor saída para conter prejuízos políticos a Lula e concentrar esforços em sua própria defesa na Justiça e na campanha de reeleição para o Senado.
As descobertas sobre o senador do PT chegam à pré-campanha no momento em que Lula se beneficiava da divulgação do áudio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ com o pedido de dinheiro para Vorcaro. A última pesquisa Datafolha publicada no sábado, 20, mostrou o petista com 47% e o filho de Jair Bolsonaro com 43%, mesmos números de um mês atrás, com presidente à frente, no limite da margem de erro.
Esse levantamento teve influência parcial das revelações sobre Wagner.
Pressão sobre Mendonça
Relator do processo sobre o Master, o ministro do STF André Mendonça recebe pressões para tomar medidas contra Flávio Bolsonaro depois da operação que atingiu Jaques Wagner.
No fim de semana, o senador do PL rebateu pelas redes sociais um artigo da jornalista Eliane Cantanhede, colunista do jornal O Estado de S. Paulo, que questionou porque Mendonça o poupou de operações da PF e tomou medidas apenas contra Jaques Wagner e o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Congresso: Copa, festas e campanhas
A Copa do Mundo, as festas juninas e as campanhas eleitorais esvaziam o Congresso e complicam a aprovação de pautas importantes para o governo, como o fim da jornada 6×1. Rompido com o Planalto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ainda não encaminhou a PEC sobre esse assunto para tramitação.
Na Câmara, também não há previsão de votações relevantes.
A prisão domiciliar de Bolsonaro
Termina na próxima quinta-feira, 25, a prisão domiciliar humanitária do ex-presidente Jair Bolsonaro. A extensão do benefício depende de decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes. Dois dias antes, na terça-feira, o ex-presidente vai depor à Polícia Civil do Distrito Federal para prestar esclarecimentos sobre a arma de fogo apreendida com um de seus seguranças.
BC divulga a ata do Copom
O Banco Central divulga nesta terça-feira, 23, a ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) na semana passada. O fato de o comunicado do BC ter deixado dúvidas sobre a tendência da política de juros a partir da próxima decisão do Copom aumenta a expectativa sobre a ata.