O presidente Lula deve telefonar nos próximos dias para Donald Trump com a intenção de estabelecer um diálogo em torno da recente decisão do governo dos EUA de classificar as facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas. O objetivo, segundo o ministro Dario Durigan (Fazenda) afirmou em entrevista à GloboNews, é evitar sanções contra instituições financeiras, empresas nacionais e mecanismos estratégicos, como o Pix.
O governo brasileiro tenta minimizar os efeitos das medidas tomadas pela administração Trump, previstas para entrar em vigor a partir da sexta-feira, 5. Durigan tomará a iniciativa de procurar autoridades dos EUA para ponderar sobre a importância de que o Pix não seja afetado pelas medidas e defender a atuação conjunta dos dois países no combate ao crime transnacional.
Flávio tenta estancar queda nas pesquisas
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usa a decisão do governo Trump sobre o PCC e o CV para tentar estancar a queda que teve nas pesquisas eleitorais depois das revelações de suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro. O pré-candidato do PL ao Planalto reforça o discurso na área da segurança e procura caracterizar Lula como protetor do crime organizado.
Mas Flávio tem problemas concretos para segurar essa bandeira. Um de seus principais aliados no estado, o ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) Rodrigo Bacellar (União Brasil), por exemplo, foi preso sob a acusação de vazamento de informações sobre investigações para o Comando Vermelho.
Pelo lado do governo, a estratégia é apresentar a família Bolsonaro como entreguista e defensora de medidas contra os interesses do Brasil.
Disputa por espaço na direita
Os outros pré-candidatos do campo da direita se movimentam para, no embalo do caso Master, ganhar terreno contra Flávio. Aproveitam também a medida dos EUA contra as facções criminosas brasileiras para criticar a atuação do governo Lula na segurança pública.
Um sinal do desgaste de Flávio foi identificado pela pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira, 1º. O levantamento mostra que os pré-candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) teriam desempenho melhor do que o senador do PL em um eventual segundo turno contra Lula.
Esse retrato alimenta em Caiado e Zema a esperança de que podem atrair aliados e eleitores de Flávio para suas campanhas, com a perspectiva de enfrentar o petista em condições mais favoráveis do que o senador do PL. Para se diferenciar da direita bolsonarista, o PSD ensaia lançar o presidente da legenda, Gilberto Kassab, para a vaga de vice na chapa de Caiado, como antecipou Diego Amorim em sua coluna no PlatôBR.
Lula faz reunião ministerial
Na quarta-feira, 3, Lula faz a segunda reunião ministerial do ano para fazer um balanço das atividades dos últimos meses e planejar as ações do governo até as eleições de outubro. A entregas desse período são consideradas cruciais para o discurso de campanha do petista, que precisa melhorar a avaliação do governo para tentar aumentar a distância em relação aos adversários nas pesquisas.
Alcolumbre e a PEC da jornada 6×1
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deve decidir nesta semana encurtada pelo feriado de Corpus Christi os primeiros passos da tramitação da PEC que acaba com a jornada de trabalho 6×1, aprovada na quarta-feira, 27, pela Câmara. Apesar das relações estremecidas entre Alcolumbre e Lula, o governo tem a expectativa de que ele encaminhará a proposta para discussão na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
Para o Planalto, o ideal é que o texto seja aprovado pelo Senado até julho, a tempo de que os resultados sejam sentidos pela população antes das eleições de outubro. Se Alcolumbre segurar a tramitação, os governistas manterão o fim da 6×1 como bandeira na campanha de Lula.
Neste período de distanciamento em relação a Lula, o presidente do Senado contempla pautas de interesse da oposição conservadora, como a instalação da CPI da Pedofilia.
Fórum de Lisboa atrai os três poderes
Em Portugal, autoridades dos três poderes participam até a quarta-feira, 3, do 14º Fórum de Lisboa, encontro criado pelo ministro do STF Gilmar Mendes. O evento se tornou um ponto de encontro tradicional do mundo político e jurídico brasileiro, em integração com personalidades internacionais. No ano passado, Lula foi, mas desta edição ele não participará.