Na última semana antes do recesso, o Congresso volta a enfrentar pressões do STF com as investigações da Polícia Federal sobre a aplicação de recursos orçamentários. No fim de semana, o ministro Flávio Dino deu dez dias de prazo para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), apresentar os documentos da tramitação das emendas parlamentares investigadas por suspeita de irregularidades.

Motta defende os métodos e critérios usados na destinação das verbas investigadas pela PF por suspeita de desvios. A decisão de Dino atinge o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, acusados de manipular emendas segundo seus interesses, mesmo sem exercerem mandato no Congresso.

O próprio Motta aparece nas investigações. De acordo com a PF, a servidora Mariângela Fialek teria aval da presidência da Câmara para executar os desvios que beneficiariam Cunha.

Votações postergadas
As votações dos temas de maior interesse do governo no Congresso devem ficar para depois do recesso, talvez até para depois das eleições. A postergação afeta tanto as propostas de interesse do Planalto quanto as “pautas-bombas”, que impactam as contas públicas e contrariam as diretrizes da equipe econômica.

O adiamento das votações decorre, em grande parte, do rompimento entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), desde a rejeição do nome de Jorge Messias para a vaga aberta no STF. Devido ao afastamento, Alcolumbre segurou a tramitação, por exemplo, da PEC que acaba com a jornada 6×1, bandeira eleitoral de Lula, e a PEC da Segurança Pública.

Apesar do desentendimento, o presidente do Senado atendeu aos apelos do Planalto e não deve levar ao plenário as “pautas-bombas”, como o projeto de lei que cria aposentadoria diferenciada para agentes de saúde.

Esquenta a corrida presidencial
Com a aproximação das convenções partidárias, os pré-candidatos correm para fechar as últimas alianças antes da oficialização dos nomes que vão disputar as urnas em outubro. As acusações da PF contra Valdemar foram mais um fato negativo para a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), depois da revelação do áudio para Daniel Vorcaro e do vídeo da ex-primeira-dama Michele Bolsonaro.

Flávio teve mais uma má notícia no fim de semana, com a divulgação pelo presidente do Republicanos, Marcos Pereira, de uma nota para negar que o partido apoiará o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A legenda caminha para a neutralidade.

Os problemas do senador do PL animam Ronaldo Caiado, pré-candidato do PSD ao Planalto, embora as pesquisas até agora o coloquem na faixa dos 4%, longe do segundo turno. Caiado tenta explorar as fraquezas de Flávio, como aconteceu no fim de semana ao classificar de “extrema fragilidade” a carta de Jair Bolsonaro em defesa do filho divulgada pelo senador.

Chegou o dia do tarifaço
Está marcado para a quarta-feira, 15, a entrada em vigor do novo tarifaço, de 25%, imposto ao Brasil pelo governo de Donald Trump. O governo brasileiro tenta reduzir o impacto da medida e não tem clareza sobre quais produtos serão atingidos.

A sanção contra o Brasil é um dos principais assuntos da campanha eleitoral. Lula usa as sobretaxas para mostrar como as ações da família Bolsonaro nos Estados Unidos prejudicaram os interesses dos brasileiros. Flávio tentou amenizar os estrago recentemente, quando compareceu a uma audiência nos EUA para pedir o adiamento do tarifaço.

A possibilidade de interferência do governo americano nas eleições de outubro é uma das principais preocupações da campanha de Lula. Os cenários traçados pelo Planalto não descartam a hipótese de que Trump suspenda a sobretaxa para criar um fato supostamente positivo para Flávio.