Os desdobramentos das revelações sobre o pedido de R$ 134 milhões feito por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro continuarão no foco do noticiário político nas próximas semanas. A Polícia Federal investiga se o dinheiro do banqueiro transferido para um fundo nos Estados Unidos foi usado para o pagamento das despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro depois que saiu do Brasil no início do ano passado.

Eduardo responde a processo no STF, acusado de coação pela atuação nos EUA contra a ação penal que levou à condenação dos responsáveis pela tentativa de golpe de Estado, entre eles seu pai, Jair Bolsonaro. Pela suspeita da PF, os recursos destinados ao financiamento do filme Dark Horse podem ter sido usados na campanha que tinha o objetivo de pressionar o STF a não punir o ex-presidente.

Flávio vai insistir na candidatura a presidente, apesar do impacto da divulgação dos áudios das conversas com Vorcaro. Ele tem o desafio de completar as negociações dos palanques regionais e, ainda, de acertar a escolha do vice-presidente.

As próximas pesquisas eleitorais terão peso importante nessa fase da pré-campanha: se o caso Master provocar uma queda significativa no desempenho do senador, as alianças nos estados ficam mais difíceis e podem dificultar o projeto presidencial; na hipótese, pouco provável, de não haver impacto negativo na preferência de seus eleitores, Flávio seguirá como o principal adversário da reeleição e Lula.

O relatório de Plínio Valério
Na quarta-feira, 20, o senador Plínio Valério (PSDB-AM), deve apresentar o relatório sobre a PEC que estabelece a autonomia administrativa, financeira e orçamentária do Banco Central. O texto foi negociado com a base do Planalto, mas ainda há resistência à proposta dentro do governo. Como ainda não existe acordo, o mais provável é que haja um pedido de vista, o que vai postergar a votação do parecer do relator.

A PEC é apoiada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, que estará nesta terça-feira, 19, na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado para falar sobre o caso Master e deve responder também a perguntas sobre a autonomia da autoridade monetária.

O embate da 6×1
Com votação prevista na Câmara para o dia 27 de maio, a PEC que acaba com a jornada 6×1 entra em uma semana decisiva nas negociações do parecer do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA). O Centrão vai tentar incluir medidas que atenuam os efeitos da mudança no regime de trabalho, com compensações para os empregadores, como a redução do percentual do FGTS cobrado sobre os salários e o estabelecimento de uma década de transição para o novo modelo.

Para facilitar a aprovação, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve trabalhar pela elaboração de um texto enxuto da PEC. O detalhamento da proposta seria tratado no projeto de lei que o governo enviou, em regime de urgência, sobre o mesmo assunto.

Com esse encaminhamento, Motta divide com o governo o protagonismo do fim da jornada 6×1. A mudança é apoiada pela maioria da população, segundo pesquisas, e é uma aposta do governo e do presidente da Câmara para a campanha eleitoral deste ano.

Lula insiste em Messias
O presidente Lula dá sinais de que pretende enviar outra vez o nome do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) para a vaga aberta no STF. Essa possibilidade passou a ser discutida com mais força depois da divulgação dos áudios com as conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Na avaliação do Planalto, as conversas reforçam o entendimento de que a rejeição de Messias foi uma reação aos avanços das investigações sobre o banco Master. Mesmo que o Senado não aprove outra vez, interessa a Lula reforçar a ligação da família Bolsonaro com o escândalo financeiro, um dos temas centrais da campanha eleitoral.

Mesmo que Lula mande seu nome outra vez, Messias não poderá ser confirmado para o STF este ano, pois o Regimento Interno do Senado impede a apreciação na mesma sessão legislativa de uma indicação rejeitada anteriormente. Nesse caso, a continuação do debate sobre o chefe da AGU serviria para o petista reforçar a relação entre a derrota histórica que sofreu no Senado e os interesses da oposição em frear as investigações sobre o banco Master.