O grupo ligado ao ex-ministro Edinho Silva espera encerrar a turbulência em torno de sua candidatura à presidência do PT com um encontro dos dirigentes de sua corrente, a Construindo um Novo Brasil (CNB), na sexta-feira, 28, em Brasília. O evento deve reunir mais de 120 dirigentes de todo o país, entre parlamentares, presidentes de diretórios e ministros. Gleisi Hoffmann foi convidada, mas ainda não confirmou presença.
A CNB é o grupo majoritário do PT, do qual Lula faz parte. Mas Edinho Silva, indicado pelo presidente, vem enfrentando oposição dentro de seu próprio grupo. No cerne da disputa está a indicação de quem será o tesoureiro, o segundo cargo mais poderoso na executiva do partido. O grupo de oposição a Edinho quer que Gleide Andrade, atual tesoureira, seja mantida no cargo. Edinho não quer.
O time de Edinho tenta costurar o nome de Emídio de Souza, deputado estadual paulista, como tesoureiro, cargo que ele já ocupou. À coluna, Emídio disse que não é candidato. Mas é um incentivador da campanha de Edinho, como o ministro Alexandre Padilha. Outro nome que já foi cogitado, mas perdeu força é o do ministro Márcio Macêdo, que também disse que não concorre à vaga.
O cargo de tesoureiro não é pouca coisa. Ele gere um orçamento milionário e determina toda a política de distribuição do dinheiro, além de quais campanhas serão mais irrigadas nas eleições. Só de Fundo Eleitoral são cerca de R$ 600 milhões a cada dois anos, além do Fundo Partidário, estimado em R$ 150 milhões por ano, explicou um alto dirigente.
Embora Gleisi tenha torcido o nariz para a candidatura de Edinho e insistido na manutenção de Gleide Andrade, segundo dirigentes ouvidos pela coluna, a expectativa é que agora ela atue para conciliar as duas partes. O nome de Emídio, experiente na secretaria de finanças, ganha força por sua proximidade com o presidente Lula. Seu nome é cogitado inclusive entre petistas mais reticentes a Edinho Silva.