Domicílio eleitoral de nada menos que 43% do total de brasileiros aptos a votar, o Sudeste atrai a atenção nos períodos eleitorais não apenas pelo peso político dos nomes que participam das disputas nos estados, mas também pela importância estratégica que as campanhas locais têm para os candidatos a presidente da República. Por esses dois motivos, a formação dos palanques regionais para as disputas ao governo e ao Senado está, sempre, diretamente relacionada com a montagem das chapas nacionais.
Até o momento, os arranjos estão indefinidos em todos os estados. Se for levada adiante, a pré-candidatura ao Planalto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por exemplo, abrirá espaço para postulantes ao Senado no Rio de Janeiro. Em sentido contrário, mas também deixando o quadro indefinido por ora, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao repetir que vai tentar a reeleição, desarrumou uma aliança nacional negociada nos últimos anos entre os partidos do Centrão e setores empresariais em torno de seu nome para o Planalto. Se ele, de fato, não se lançar para a Presidência da República, desponta como favorito para o governo paulista.
Outubro, o mês das urnas, se aproxima com cenários fragmentados e indefinidos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Os partidos e os pré-candidatos ainda discutem nomes e estratégias que misturam alianças locais com os palanques dos candidatos a presidente. Nas disputas pelas vagas no Senado, também predominam as incertezas. Em todos os estados, figuras com experiência política relevante, ex-ministros e atuais governadores aparecem nas projeções, muitas vezes em posições próximas nas pesquisas.
Em São Paulo, o cenário para o governo segue bastante aberto, mesmo com nomes fortes já no tabuleiro. Lula trabalha por uma chapa de peso no estado para enfrentar o favorito, Tarcísio de Freitas, possível candidato a mais um mandato. Em declarações recentes, o presidente sinalizou que gostaria que o ministro Fernando Haddad (Fazenda) concorresse a governador, Haddad, porém, continua dizendo publicamente que não quer entrar na disputa prefere coordenar a campanha de Lula ao Planalto.
Enquanto a chapa em São Paulo não é fechada, o presidente sinaliza até com a possibilidade da candidatura do vice, Geraldo Alckmin, para governador. Mas Alckmin e seu partido, o PSB, se opõem à ideia. Preferem que o atual vice-presidente continue como companheiro de chapa de Lula.
A pedido do presidente, a ministra Simone Tebet (Planejamento) deve transferir seu domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo. Pode concorrer ao Senado ou até ao governo, a depender do arranjo a ser feito por Lula, que tem interesse em montar para sua própria candidatura presidencial um palanque forte em São Paulo. Outra ministra, Marina Silva (Meio Ambiente), também está com o nome na mesa para uma vaga ao Senado.
Do lado de Tarcísio, o PL tenta ocupar o lugar do vice-governador, Felício Ramuth (PSD), na chapa da situação. O movimento do partido de Jair Bolsonaro e de Valdemar Costa Neto foi feito depois que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, anunciou a intenção de lançar um candidato a presidente, em vez de apoiar Flávio Bolsonaro.
Para o Senado, a direita deve lançar para uma das duas vagas o deputado Guilherme Derrite (PP-SP). A outra está em disputa entre os grupos locais. Estão no páreo os deputados Ricardo Salles (Novo-SP) e Marco Feliciano (PL-SP). A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro defende o nome da deputada Rosana Valle (PL-SP).
Em Minas Gerais, a maior dúvida é sobre a candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado, nome preferido de Lula. Pacheco ainda não decidiu se entrará na disputa pela sucessão do governador Romeu Zema (Novo). Ele acertou a filiação ao União Brasil e considera formar uma aliança ampla para se fortalecer para a campanha, com o apoio do presidente da República. O PT não deve ter candidato a governador e, se Pacheco encabeçar a chapa, a prefeita de Contagem, Marília Campos, de ser escolhida para disputar uma das vagas no Senado.
O ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia), do PSD, disse na semana passada que pode concorrer a governador, se Lula quiser. Caso não receba a bênção do presidente, Silveira pretende disputar o Senado. Em outra frente, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil foi lançado pré-candidato ao governo mineiro pelo PDT.
No campo da direita, Romeu Zema se lançou para presidente, mas se a candidatura não for levada adiante, pode tentar o Senado. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) desponta como favorito para governador, mas ainda não fechou alianças em torno de seu nome. Outro nome influente na direita, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também é especulado como possível candidato ao governo. O deputado e ex-governador Aécio Neves (PSDB) é mais ruim que não definiu o futuro. Pode disputar a reeleição para a Câmara ou, até, tentar voltar ao Senado.
No Rio de Janeiro, a sucessão ao Palácio Guanabara começa com Eduardo Paes (PSD) como o nome mais forte do tabuleiro, à frente de uma ampla aliança, com o apoio de Lula. Caso o governador Cláudio Castro (PL) seja candidato ao Senado, como está previsto, terá de se desincompatibilizar do cargo até o início de abril, o que obrigará a Assembleia Legislativa a eleger um governador tampão. Isso porque não há sucessores imediatos: o vice, Thiago Pampolha, foi nomeado para o Tribunal de Contas do Estado e o presidente da Assembleia, Rodrigo Bacellar, está afastado por ordem da Justiça.
Com Cláudio Castro (PL) impedido de disputar novo mandato, o campo conservador ainda tenta construir um herdeiro. Pelo centro, aparece o nome de Washington Reis (MDB) e, pela esquerda, deve concorrer Mônica Benício (PSOL). Na corrida pelas duas vagas ao Senado, além de Castro, está certa a candidatura da deputada Benedita da Silva (PT).
No Espírito Santo, o governador Renato Casagrande (PSB) não pode disputar a reeleição e, por enquanto, ainda não há favoritos para a sua sucessão. O vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) pode disputar a eleição no cargo, caso Casagrande renuncie até abril para se lançar ao Senado.
Na centro-direita e na direita, a fragmentação é maior. O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), aparece como nome competitivo e reúne apoio de setores conservadores e do ex-governador Paulo Hartung (PSD). O PL articula a possível candidatura do senador Magno Malta ao governo, com foco em montar palanque bolsonarista no estado. O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), também se movimenta como possível nome para governo, embora mantenha relação próxima com Casagrande. Pela esquerda, o PT tende a lançar o deputado federal Helder Salomão para nacionalizar o debate e defender o palanque de Lula.
Para o Senado, além de Casagrande, um nome cotado para participar da disputa é o do deputado Evair de Melo (PP).
