A conversa que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, na última quarta-feira, 11, serviu para recolocar o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD) entre as possibilidades de candidatura ao governo de Minas Gerais. Lula já havia mandado recados, inclusive públicos, de que não havia desistido de tê-lo como candidato, mas a divulgação da conversa fez com que a ideia se tornasse mais real.

Pacheco se mostrava propenso a deixar a vida pública depois de ter sido preterido por Lula na indicação para a vaga do ministro Luís Roberto Barroso no STF, no final de novembro. Nas últimas semanas, o senador voltou a dar sinais de que estava aberto para conversas sobre as eleições em Minas.

Depois do encontro de quarta-feira, pessoas próximas a ele indicam que a palavra de ordem é “continuar conversando” para a construção de um palanque no estado, considerado um dos mais importantes do país e que costuma refletir, historicamente, a eleição nacional.

Qual partido?
Nessa construção, a definição de uma legenda para Pacheco se filiar é o passo a ser tratado agora. Pacheco estava com conversas avançadas com o União Brasil, inclusive interferindo na troca do presidente do diretório estadual. O presidente da legenda, Antônio Rueda, acatou a influência do senador, retirando a sigla do domínio do deputado Marcelo de Freitas, comprometido com a candidatura do vice-governador Mateus Simões (PSD), candidato apoiado pelo governador Romeu Zema (Novo), e passou o comando para o deputado federal Rodrigo de Castro, aliado de Pacheco.

Mas Lula acredita mais na possibilidade de composição com o MDB, comandado em Minas pelo deputado Newton Cardoso Júnior e que tem como filiado o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite.

Na semana passada, Tadeuzinho, como é chamado, chegou a ser sondado por João Campos, presidente nacional do PSB, para se filiar à legenda e concorrer ao governo de Minas. No entanto, não aceitou o convite. Ele e Newtinho mantêm conversas com o PT nacional que também investe na aliança. Caso Pacheco acerte sua filiação ao MDB, haveria uma reviravolta nos planos da sigla que lançou o nome de Gabriel Azevedo, seu amigo, ao governo.

O senador, após resolver a questão partidária, terá que pensar na montagem de seu palanque e a ideia é tentar atrair legendas grandes, da centro direita. Na conversa com Lula, Pacheco reivindicou o comando dessas negociações.

“Esperando Pacheco”
Membros do PT mineiro dizem que estão no modo “esperando Pacheco”. A tentativa isolada de lançar candidaturas próprias, como a de Sandra Goulart, reitora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), não é mais cogitada. O partido não pede espaço na chapa do senador e indica que a única aposta de candidatura será a de Marília Campos, prefeita de Contagem, para o Senado. Nesse caso, o partido também não faz questão de que ela esteja na chapa oficial a ser construída por Pacheco. “O PT lança o nome de Marília e pronto”, disse um parlamentar.