Enquanto aguarda uma decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) sobre a validade do acordo de livre comércio com o Mercosul, o governo Luiz Inácio Lula da Silva tem feito esforços para reverter o veto à compra da carne brasileira, a partir de 3 de setembro, pelo bloco comercial.
Na última sexta-feira, 5, o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) se reuniu, em Paris, com o comissário para Comércio e Segurança Econômica da União Europeia, Maros Sefcovic. Os dois trataram da implementação do acordo comercial, em vigor de maneira provisória desde maio. Após a decisão do tribunal, o texto deverá ser submetido à aprovação do Parlamento Europeu.
Vieira também conversou com Sefcovic para que sejam estabelecidos canais de diálogo ágeis para tratar de problemas como o veto à carne brasileira. Na última sexta, a União Europeia confirmou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para o bloco europeu.
Segundo o documento publicado pela União Europeia, o Brasil foi excluído da lista por não ter apresentado as informações necessárias para comprovar que sua produção atende às exigências sobre o uso de antimicrobianos, usados para tratar e prevenir infecções em animais.
Diálogo técnico
Em paralelo aos contatos políticos do Itamaraty, o Ministério da Agricultura busca diálogo técnico com o Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, responsável pela lista de países autorizados a vender para o bloco comercial.
Segundo empresários do setor de proteína animal ouvidos pelo PlatôBR, França e Polônia são os países que mais têm buscado formas de atrapalhar o acordo entre os dois blocos comerciais. Afirmam também que as empresas brasileiras cumprem todas as normas da União Europeia para o uso de antimicrobianos, o que não é feito por países integrantes do bloco europeu, entre eles a própria Polônia.