Preocupações fortes rondam a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos para o encontro na Casa Branca com o presidente Donald Trump. A visita está acertada pela diplomacia dos dois países para esta quinta-feira, 7, mas a tensão e o clima de desconfiança se instalou até na confirmação da viagem pelo Palácio do Planalto.
O governo brasileiro somente confirmará oficialmente o encontro quando a própria Casa Branca divulgar oficialmente na agenda de Trump. O temor é de que Lula confirme a viagem e Trump desista do encontro, o que colocaria o brasileiro em uma situação vexatória.
Tanto Trump quanto Lula passarão por eleições neste ano. Lula tentará conquistar mais um mandato em outubro e Trump enfrentará as eleições legislativas que ocorrem no meio do mandato, em novembro. As perspectivas de Trump não são boas. Pesquisa recente do Washington Post-ABC News/Ipsos mostrou que a desaprovação do americano chegou a 62%, o maior índice de rejeição já registrado nesse levantamento. A aprovação de Trump foi de 37%. Isso reflete diretamente nas perspectivas do Partido Republicano para obter cadeiras no parlamento. Trump é criticado principalmente pelo alto custo de vida (76%), inflação (72%) e guerra com o Irã (66%).
Lula também tem enfrentado queda na aprovação do governo e tenta evitar uma nova demonstração de fragilidade após a derrota que teve no Congresso na semana passada com a rejeição da indicação do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) para a vaga do STF (Supremo Tribunal Federal) e com a derrubada do veto da dosimetria. Diante disso, uma emboscada no Salão Oval, como a que ocorreu com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa em maio de 2025, seria um desastre político e diplomático para o petista.
Esta é a primeira vez que o presidente brasileiro fará uma visita oficial a Trump. O momento é de distanciamento entre os dois chefes de Estado, após críticas de Lula à guerra e sua consequências econômicas e, também, devido aos ataques de Trump ao sistema de pagamento Pix, tema que está nos planos de Lula para a conversa.
Além disso, o petista também pretende abordar com Trump o fim das taxas restantes do tarifaço sobre exportações brasileiras e a questão dos investimentos em minerais críticos.