Quem disputa uma cadeira na CLDF (Câmara Legislativa do Distrito Federal) nas eleições de outubro vai encarar uma concorrência mais folgada do que a de um vestibulando da UnB (Universidade de Brasília). Hoje, conseguir um mandato de distrital está numericamente mais fácil do que passar para o curso de Psicologia, a terceira graduação mais concorrida, na federal.
Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 420 candidatos disputam as 24 vagas do Legislativo local, o que resulta em uma média de 17 postulantes por cadeira. Na UnB, o último processo seletivo para Psicologia teve 40 candidatos por vaga, mais do que o dobro da corrida eleitoral.
Os números também mostram um enxugamento do quadro eleitoral na capital. Na eleição passada, o Distrito Federal registrou 610 nomes na corrida pelo Legislativo local — 190 a mais do que o total atual. O cenário se repete na disputa por um mandato de deputado federal, cujas candidaturas despencaram de 216 para 165.
Especialistas apontam que a redução de candidatos é reflexo da nova distribuição das chamadas sobras eleitorais. “As novas regras, somadas às questões de financiamento, cada vez mais limitam o número de candidatos. A própria cláusula de barreira, que vem diminuindo o número de partidos, também reduz, consequentemente, o número de candidaturas”, avalia o cientista político Horácio Lessa Ramalho.
Somando todos os cargos em disputa, o DF contabiliza 608 candidaturas em 2026. Trata-se do menor contingente de nomes nas urnas desde 1998, quando a capital da República teve 334 candidatos.

