Edson Fachin quer a abrir um inquérito para apurar a suposta gravação clandestina da reunião entre os ministros do STF nessa quinta-feira, 12, que decidiu pelo afastamento de Dias Toffoli da relatoria do caso Master na Corte.

Por se tratar de ameaça à segurança do tribunal, Fachin considera usar o mesmo artifício usado por Toffoli para abrir o inquérito das fake news, ou seja, de ofício, por iniciativa própria, ou oficiar a PGR relatando o ocorrido.

Depois da reunião, ministros passaram a desconfiar terem sido gravados pelo próprio Toffoli, como noticiou a jornalista Mônica Bergamo.

A desconfiança teve como base uma reportagem do portal Poder360, publicada na madrugada dessa sexta-feira, 13, que reproduziu fielmente as falas dos ministros no encontro, entre aspas.

O ministro do STF, Dias Toffoli

Segundo a reportagem, sete ministros se posicionaram favoravelmente a Toffoli na reunião, no sentido de que ele continuaria como relator: Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques. Cármen Lúcia e Edson Fachin se manifestaram contra.

No encontro, Moraes teria dito que achava um “absurdo” que a Polícia Federal tenha investigado um ministro do Supremo sem ter autorização judicial para tanto. Ele se referia ao relatório sobre a relação entre Toffoli e o Master, entregue por Andrei Rodrigues, diretor da PF, a Edson Fachin no começo da semana.

Em uma intervenção no encontro, de acordo com a reportagem, Gilmar Mendes disse interpretar a atuação da PF como um “revide”. “Eu acho que o que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões ao longo do seu tempo nesse caso Master aqui no STF que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar”, teria afirmado.

Em apoio a Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques classificou o conteúdo do relatório como “um nada jurídico”, Flávio Dino tachou o material como “um lixo jurídico” e cobrou Fachin a ter “resolvido isso dentro da institucionalidade da Presidência”. Cristiano Zanin avaliou que “isso aqui tudo é nulo” e André Mendonça, o novo relator do caso Master, afirmou não ver no conteúdo uma “relação íntima” de Toffoli com Daniel Vorcaro.

Luiz Fux, outro que falou em defesa de Dias Toffoli, declarou que o colega “tem fé pública”. “Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo”.

Em uma fala em tom diferente dos pares, Cármen Lúcia reafirmou ter confiança em Toffoli, mas disse ser necessário “pensar na institucionalidade”. “Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo”, declarou.