Em menos de 48 horas, Felipe Neto movimentou o cenário digital brasileiro como poucos. Com uma única mensagem — o anúncio de uma suposta pré-candidatura à Presidência da República — o influenciador gerou mais de 21 milhões de interações nas plataformas da Meta, mobilizando apoiadores, críticos, veículos de imprensa e até políticos de diferentes espectros ideológicos.
A ação, posteriormente revelada como uma estratégia de marketing para promover o audiobook de 1984, de George Orwell, se tornou, até agora, um dos maiores cases de marketing de 2025.
Segundo análise do cientista de dados Alek Maracajá, a ação foi um exemplo didático de como uma mensagem bem construída, ancorada em narrativa forte e apoiada por domínio técnico do ambiente digital, pode furar bolhas, gerar debate transversal e alcançar relevância nacional.
“Felipe usou o algoritmo a seu favor”, afirmou Maracajá. “Ele construiu uma narrativa política verossímil, cheia de símbolos e referências ao universo de Orwell, como ‘Ministério da Verdade’ e ‘novafala’, provocando discussões intensas e mobilizando diferentes públicos”.
O ápice da estratégia foi a virada narrativa: a revelação de que tudo fazia parte de uma campanha para instigar reflexões sobre liberdade, controle da informação e leitura crítica.
Com isso, explicou Maracajá, Felipe Neto conseguiu algo raro no ecossistema digital contemporâneo — furar bolhas e se tornar tema de conversa em grupos de direita, esquerda, influenciadores, jornalistas, políticos e até formadores de opinião que costumam ignorar o debate virtual.
A ação entrou na pauta dos principais veículos de imprensa e ocupou os trending topics.