Termina nesta quarta-feira, 5, o prazo para que partidos e federações oficializem candidaturas e coligações para as eleições de outubro. A um dia do fim da janela, dois dos cinco presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas ainda não definiram quem ocupará a vaga de vice em suas chapas: Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo).
No caso de Flávio Bolsonaro, a escolha segue cercada de expectativa. A campanha do senador sondou nomes de peso, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a ex-ministra e senadora Tereza Cristina (PP), mas as negociações esbarraram em resistências familiares e partidárias.
Há, no entanto, uma definição que parece ter sobrevivido às dúvidas: a vice tende a ser mesmo uma mulher. A estratégia busca reduzir a rejeição de Flávio entre o eleitorado feminino, que representa 52,8% dos eleitores brasileiros. A avaliação da campanha é de que o movimento poderá ajudar a ampliar o diálogo do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro com as eleitoras brasileiras.
Não é novidade que, com Michelle fora do radar, Tereza Cristina passou a ser a principal aposta bolsonarista. A senadora chegou a aceitar o convite, mas a articulação perdeu força após resistência do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI).
Ex-ministro do governo de Jair Bolsonaro e até hoje aliado do clã, Ciro trabalhou pela neutralidade do partido na disputa presidencial. No Piauí, onde tenta a reeleição ao Senado, uma aliança formal com o bolsonarismo poderia dificultar sua estratégia eleitoral. Apesar disso, interlocutores da campanha não consideram a situação resolvida. “Até dia 5, tudo pode acontecer”, afirmou o próprio Flávio Bolsonaro.
Sem Michelle e, por ora, sem Tereza Cristina, aliados do senador passaram a defender o nome de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e ex-braço-direito de Paulo Guedes, o guru econômico do governo Bolsonaro. O entrave é que o Republicanos, partido ao qual Daniella é filiada, também demonstra preferência por uma posição de neutralidade na corrida presidencial. A deputada federal Renata Abreu, presidente do Podemos, corre por fora.
Diante das dificuldades para fechar um acordo com outras legendas, uma chapa “puro-sangue” também permanece no radar. Nesse cenário, o deputado federal Eduardo Bolsonaro defende o nome da deputada Julia Zanatta (SC) para o posto de candidata a vice-presidente.
Quem também caminha para uma chapa “puro-sangue” é o Novo, de Romeu Zema. O ex-governador de Minas Gerais flertou com o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa, pré-candidato ao Planalto pelo DC, mas a parceria não avançou. Assim como Flávio Bolsonaro, o mineiro tentou atrair o Podemos para a chapa, por meio de Geraldo Rufino. O empresário, porém, preferiu disputar uma vaga ao Senado por São Paulo.

