Um dia após ter renunciado ao Palácio Guanabara, Cláudio Castro (PL) aposta as fichas, nesta terça-feira, 24, em uma decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que o favoreça na ação que pode levar à sua inelegibilidade. O agora ex-governador fluminense responde por acusação de abuso de poder econômico e político durante as eleições de 2022.
Castro é um dos nomes preferidos entre os eleitores para ocupar uma das duas cadeiras no Senado destinadas ao Rio de Janeiro, mas poderá ficar impedido de concorrer se for condenado pelo tribunal. Na prática, ao deixar o governo, ele evitará o risco de ser cassado durante o exercício do mandato. A legislação eleitoral exige a renúncia até o início de abril de quem exerce cargos em poder executivo (federal, estadual ou municipal). Castro pretende disputar o voto do eleitorado neste ano.
Apesar do cenário arriscado, o agora ex-governador mantém a esperança de conquistar o mandato de 8 anos no Congresso. “Vou em busca de novos projetos. Sou pré-candidato ao Senado. Saio de cabeça erguida e de forma grata”, discursou nesta segunda-feira, 23, ao se despedir do cargo. “Nesta semana tudo será decidido. Ele é ex-governador e está no PL, toda decisão dele terá 100% do apoio do partido”, afirmou ao PlatôBR o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do partido na Câmara.
A saída de Castro faz com que o presidente do TJRJ, desembargador Ricardo Couto, acumule a função de governador, uma vez que o vice-governador Thiago Pampolha renunciou ao cargo para ocupar uma cadeira no Tribunal de Costas do estado. Além disso, Rodrigo Bacellar (União Brasil), que era presidente da Alerj e terceiro na linha de sucessão, está afastado da função por decisão do STF. Ele ficou preso por uma semana após ser acusado em investigação por suspeita de vazar operação da Polícia Federal para a facção Comando Vermelho.
No comando do estado, o desembargador terá a missão de preparar as eleições indiretas para a escolha de um governador tampão em um prazo de 30 dias. O sucessor terá mandato até o final de 2026 e passará a faixa para o vencedor nas eleições de outubro. No total, os 70 deputados estaduais poderão escolher entre os candidatos para ocupar o Palácio Guanabara até o fim do ano. Qualquer brasileiro que tenha mais de 30 anos, resida no estado e esteja em dia com a Justiça Eleitoral pode participar da disputa, desde que esteja filiado a um partido político. A exceção é para quem tenha ocupado a cadeira de governador pelo menos 6 meses antes da sessão da Alerj que vai decidir o destino do Rio de Janeiro até dezembro.