A classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas por parte dos Estados Unidos ainda tem rendido embates entre integrantes do governo e bolsonaristas. Perto das eleições, as discussões sobre o assunto ganham contornos de disputa entre auxiliares do presidente Lula e seu principal adversário na disputa pela reeleição, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se empenha em demonstrar alinhamento com o governo de Donald Trump.
No mais recente episódio, apoiadores de Flávio tentam desqualificar o argumento da diplomacia brasileira de que a decisão, anunciada logo após visita de Flávio a Donald Trump, pode servir de pretexto para uma ação militar no Brasil, a exemplo do que ocorreu na Venezuela, no Mar do Caribe e no México.
Para governistas, a estratégia adotada por Flávio é de demonstrar uma “falsa indignação” e apontam o comentário feito por ele em outubro de 2025, em um vídeo divulgado nas redes sociais pelo governo americano que mostrava um navio sendo explodido. Na época, o senador disse que sentia “inveja” ao ver imagens de embarcações de narcotraficantes abatidas e sugeriu que os EUA atacassem barcos de traficantes na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.
“Não cabe você fingir indignação quando você desejou ou pediu expressamente que isso acontecesse. Portanto, não é tão absurda assim a possibilidade levantada pelo ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores)”, disse ao PlatôBR um integrante do governo ao comentar a resposta dada pelo ministro a uma consulta feita pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara.