Caso o recuo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de tarifas à União Europeia na disputa pela Groenlândia ocorra de fato, o governo brasileiro avalia que há espaço para avanço no acordo do bloco europeu com o Mercosul.

Nesta quarta-feira, 21, Trump afirmou pela rede social Truth Social que após reunião com secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Mark Rutte, foi possível definir medidas para o futuro da Groenlândia. Segundo o jornal The New York Times, há uma negociação entre os países-membros da Otan para que a Dinamarca conceda a Washington soberania sobre pequenas porções de terra na ilha, onde os Estados Unidos poderiam construir bases militares.

Para setores do Planalto e do Itamaraty, se essa negociação tiver um desfecho positivo rapidamente haverá espaço para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, canalize esforços exclusivamente para destravar o acordo entre o bloco e o Mercosul. Nesta quarta, o Parlamento Europeu aprovou por 334 votos a 324 o envio do acordo ao tribunal superior da União Europeia para decidir se os termos estão em conformidade com os tratados do bloco.

Com um possível desfecho positivo da crise entre Trump e Europa sobre a Groenlândia, Ursula von der Leyen não precisaria mais se dividir entre as duas pautas. Uma das principais defensoras do acordo entre o bloco e o Mercosul, ela passa pelo momento mais desafiador de sua gestão, com as ameaças de tarifaço dos Estados Unidos e o risco de ver naufragar um tratado que vinha sendo negociado há quase três décadas.