Integrantes da CNB (Construindo um Novo Brasil), a tendência majoritária do PT, estão prestes a fechar um acordo para confirmar o nome de Edinho Silva, ex-ministro da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência) no governo Dilma e ex-prefeito de Araraquara (SP), à presidência do PT. Um dos políticos da CNB mais resistentes ao ex-prefeito, o deputado federal e secretário nacional de Comunicação do PT, Jilmar Tatto (SP), admitiu, em conversas com petistas, que as negociações em andamento nas últimas semanas poderão “pacificar a CNB”, resultando enfim na aprovação do nome de Edinho.
Tatto revelou a um interlocutor próximo que esse anúncio pode ocorrer em breve. O presidente nacional interino do PT, senador Humberto Costa (PE), afirmou também, ao PlatôBR, que “deve ter alguma novidade” na próxima semana. Costa, no entanto, não quis revelar mais detalhes.
Uma das opções comentadas para o possível acordo é que, no processo de escolha da nova direção do partido, sejam apresentadas duas chapas da CNB apoiando Edinho. Nesse caso, as duas chapas medirão forças entre si e, a partir daí, os cargos na direção do PT serão negociados na sequência.
O racha na CNB por causa da indicação de Edinho tem como pano de fundo a disputa pelos cargos mais importantes na direção, como a tesouraria, de onde saem recursos financeiros que podem privilegiar campanhas de candidatos do partido. Edinho, de acordo com petistas, não aceita manter a atual tesoureira, Gleide Andrade, e quer um nome de sua confiança para a função.
O acordo a ser firmado, segundo petistas, prevê que Gleide não deverá, de fato, continuar no cargo de tesoureira do PT, mas deve ocupar outro posto na Executiva do partido. O grupo que resiste a Edinho gostaria também de permanecer com a Secretaria de Comunicação, hoje sob o comando de Jilmar Tatto.
Até o momento, os maiores opositores ao nome ex-ministro são justamente a tesoureira Gleide, o deputado Jilmar Tatto, a ex-presidente do PT, Gleisi Hoffmann, atual ministra da Secretaria das Relações Institucionais; e o vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, prefeito de Maricá (RJ).
No início de março, esses integrantes da CNB se reuniram com o presidente Lula na casa de Gleisi Hoffmann, em Brasília. Durante a conversa, o grupo manifestou a rejeição ao nome de Edinho. Gleide Andrade, segundo uma versão corrente entre petistas, teria perguntado a Lula se ele iria realmente indicar à presidência do partido um petista opositor da atual ministra Gleisi.
Rui Falcão pode desistir
O deputado federal Rui Falcão (SP), ex-presidente nacional do PT, afirmou nesta sexta-feira, 4, que decidirá até a próxima semana se vai manter ou não a sua candidatura à presidência do partido. Embora pertença a uma outra tendência petista, a Novo Rumo, o nome de Falcão foi lançado também como uma possível alternativa a Edinho, para atrair o apoio de alguns nomes da CNBB.
Anunciaram apoio a Falcão petistas de peso com os ex-presidentes da legenda Olívio Dutra e José Genoíno, o deputado federal e ex-ministro da Secom Paulo Pimenta, e as tendências Democracia Socialista, Militância Socialista e O Trabalho.
O vice-presidente do PT Washington Quaquá disse que irá a São Paulo, na quinta-feira, 10, para convencer Falcão a renunciar e apoiar o nome de Humberto Costa, o presidente interino petista, para que ele seja mantido no cargo. “Estou buscando alternativas ao Edinho. O Humberto é um bom presidente e pode continuar”, disse Quaquá. O senador, no entanto, afirmou ao PlatôBr que não é candidato ao comando do partido e que deseja apenas concorrer à reeleição para mais um mandato no Senado.
Quanto a Edinho, Quaquá não poupou críticas. “O Mano Brown disse que o PT devia voltar para às periferias, que tinha saído e abandonado as periferias. Eu não vejo um cara como o Edinho, com o cabelo engomado e o sapato engraxado, subindo a Mangueira comigo ou indo a um assentamento do MST”, criticou o prefeito petista.