Na volta da viagem à Ásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá que dedicar uma parte de sua agenda à formação dos palanques nos dois principais colégios eleitorais do país, São Paulo e Minas Gerais. A tarefa mais difícil será definir quem será o candidato ao governo paulista capaz de forçar um segundo turno contra a possível candidatura à reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A escolha está entre dois ministros: Fernando Haddad (Fazenda) ou Simone Tebet (Planejamento).
Na cabeça dos petistas e de Lula, há uma equação a ser resolvida, observada em pesquisas informais sobre os dois nomes. Haddad larga mais forte, mas tem a carga negativa de ter perdido eleições para a Presidência (2022) e para o governo do estado (2018), além da reeleição para a prefeitura da capital paulista (2016). Há, ainda, o fato de ele dizer publicamente que não deseja ser candidato.
O bom desempenho inicial identificado pelas pesquisas decorre do fato de Haddad ter grande visibilidade como ministro nos governos do PT, por ter sido prefeito de São Paulo e pelo recall de já ter concorrido à Presidência da República. O primeiro desafio de uma possível candidatura do petista, na avaliação de aliados, seria convencer o eleitor de que, desta vez, ele chegará ao final com chances de vencer – uma tarefa nada fácil para a comunicação. “É como retirar um carimbo de perdedor”, disse um integrante do governo ao PlatôBR.
Simone Tebet não tem o carimbo de perdedora, deixou boa imagem na eleição presidencial de 2022 e está disposta a entrar na disputa. Embora largue em desvantagem em relação a Haddad, ela acumula pontos positivos que animam o entorno de Lula acreditar que seu nome como cabeça de chapa pode funcionar. O primeiro é o fator novidade, já que estaria disputando uma eleição estadual em São Paulo pela primeira vez.
O segundo fator tem a ver com o próprio desempenho eleitoral: no primeiro turno de 2022, como candidata ao Planalto, Tebet teve 6,34% dos votos no estado de São Paulo e 8,11% na capital, mesmo tendo ficado em terceiro lugar, com 4,2% dos votos no total nacional. No segundo turno, avaliam os defensores da opção, ela transferiu ao menos uma parte do prestígio para Lula na disputa do hoje presidente com Jair Bolsonaro. Petista reconhecem que o apoio de Tebet foi fundamental para a vitória de Lula sobre Bolsonaro na cidade de São Paulo, com 53,54%, embora tenha perdido no estado.
Feitas as ponderações, a cúpula do PT prefere lançar o atual ministro da Fazenda ao governo paulista e ainda espera que Lula o convença a entrar na disputa. O presidente tem conversado tanto com Haddad quanto com Simone Tebet sobre a formação da chapa – ele integra a comitiva presidencial na viagem à Ásia, e ela viajou com Lula recentemente ao Panamá. Pelo andamento das conversas, quem não encabeçar a chapa se lançará ao Senado, outra prioridade apontada pelo PT na disputa em São Paulo.
