O Ministério da Fazenda e o Banco Central monitoram os efeitos econômicos para o Brasil da guerra no Oriente Médio. As principais preocupações entre os auxiliares do ministro Fernando Haddad e do presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, têm relação com os preços do dólar e do petróleo e seus potenciais efeitos sobre a inflação e o ciclo de queda de juros no Brasil.
Nesta segunda-feira, 2, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, detalhou as avaliações iniciais da equipe econômica. Nas contas dele, caso o preço do barril do petróleo permaneça em uma faixa entre US$ 75 e US$ 85 o efeito não tende a ser “catastrófico” ou “complicado” para o Brasil.
“O Brasil tem uma posição exportadora importante e o principal item da nossa pauta exportadora é petróleo atualmente. Então, do ponto de vista de balança comercial, a gente tem um efeito positivo. Não pensando em um cenário de barril acima de US$ 100, porque aí começa de fato a ter uma pressão maior do ponto de vista inflacionário e gera outras repercussões”, disse Ceron durante evento promovido pelo jornal Valor Econômico.
Do ponto de vista inflacionário, o preço do petróleo afeta o valor cobrado pela Petrobras na gasolina e no diesel. Após o ataque, o custo do barril subiu e cabe à companhia decidir se repassará essa elevação para as distribuidoras de combustíveis. A Petrobras evita anunciar reajustes em momentos de volatilidade. Segundo técnicos da equipe econômica, a tendência é que a companhia tome uma decisão após uma análise criteriosa.
Corte de juros
Os auxiliares de Haddad e de Galípolo também têm preocupações relacionadas à duração da guerra que começou com o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, no fim de semana. Caso o conflito se estenda, a tendência é de alta no preço do dólar e do petróleo, com efeitos sobre o processo de desinflação em curso no país.
Como consequência desse processo, a Petrobras seria obrigada a reajustar o custo dos combustíveis, que teria um impacto inflacionário. E isso tem potencial de afetar o ciclo de cortes de juros. Há previsão de queda na taxa Selic na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), marcada para 17 e 18 de março.
Em princípio, não há expectativa na equipe econômica de que o BC deixe de cortar os juros na próxima reunião. O temor, entretanto, é de que um prolongamento do conflito no Oriente Médio diminua o tamanho do ciclo este ano, atualmente precificado em três pontos percentuais, o que levaria a Selic dos atuais 15% para 12%.
