O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de maio, divulgado nesta quarta-feira, 27, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), chegou a 0,62% e superou as projeções do mercado, que esperavam uma taxa de até 0,61%. O resultado é o maior para o mês em 10 anos, quando foi de 0,86% em 2016. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice totalizou 4,64%, acima do teto da meta de 4,5%. 

O dado negativo tem reforçado a revisão iniciada por bancos e corretoras nas projeções para o ciclo de corte de juros. Como mostrou o PlatôBR, o banco Pine já espera que a Selic termine o ano em 14%, com a apenas mais duas quedas de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária). 

O economista Alexandre Maluf, da XP, afirmou que as projeções de inflação atuais, de 5,3% para 2026 e 4,0% para 2027, estão com viés de alta. Significa dizer que há risco de aumentarem diante das perspectivas de aumento de preços. Com isso, o ciclo de corte de corte de juros pode ser ainda menor do que o projetado até o momento. 

“No que diz respeito à política monetária, nosso cenário-base ainda supõe que o Copom entregará mais três cortes de 0,25 ponto percentual, levando a taxa Selic para 13,75%. No entanto, as leituras recentes da inflação ao produtor e ao consumidor, combinadas com um ambiente global mais inflacionário, colocam desafios adicionais para a autoridade monetária”, afirmou.