No PT, há mais perguntas do que respostas em relação ao destino do senador Jaques Wagner (PT-BA), um dos petistas mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e investigado pela Polícia Federal sob suspeita de ter recebido vantagens indevidas em troca de favores prestados ao banco Master no Congresso. Mas a possibilidade de Wagner ser levado a responder à Comissão de Ética da legenda é considerada remota devido à delicadeza do momento político.
Wagner não pertence a nenhuma corrente do partido e os petistas costumam dizer que ele é da “TL”, a “tendência do Lula”. Até dirigentes mais distantes do senador apontam os efeitos desastrosos de uma investigação interna para a campanha do presidente à reeleição.
“Não se trata de qualquer pessoa e nós estamos vacinados. Não queremos, desta vez, sair confirmando a tese alheia. Muitos de nossos companheiros passaram por isso e no fim tiveram provas anuladas porque eram falsificadas, fabricadas”, disse um petista da ala de esquerda, grupo que, potencialmente, poderia apresentar uma reclamação. “O que nos causa raiva é ver uma coisa dessas acontecendo em um momento tão delicado, em que está em jogo a Presidência da República. Mas não seremos nós a julgar”, disse um integrante do partido.
Candidatura mantida
Para evitar mais constrangimentos a Lula, Wagner se licenciou da função de líder do governo no Senado na quarta-feira, 24, cargo para o qual foi nomeada a senadora Teresa Leitão (PT-PE). Quanto à candidatura de Wagner a mais um mandato no Senado, a tendência, por enquanto, é de que ela seja mantida, caso não haja nenhum outro episódio envolvendo o senador no esquema do banco Master.
Um nome histórico da legenda indicou que a biografia de Wagner é valiosa e que, apesar das denúncias, não há nome melhor para substituí-lo na disputa pelo Senado na Bahia.