Famílias se desentendem, seus integrantes se separam, se juntam, se separam de novo e isso não é novidade — nem costuma ser notícia. Mas isso não vale para todos. Quando cenas da vida privada de pessoas públicas vêm à tona, uma série de implicações emergem. O conflito no camarote do Sambódromo do Rio entre a primeira-dama, Janja da Silva, e Lurian Cordeiro da Silva, filha mais velha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, trouxe de volta ao debate público o relacionamento difícil entre integrantes do núcleo familiar do petista.

Janja ganhou a fama de agir para isolar Lula da convivência com os filhos e com velhos amigos. A primeira-dama é dura e não aceita receber em casa pessoas de quem não gosta. Gente que convite com o casal presidencial admite que é assim, mas sustenta que nem toda a animosidade atribuída à primeira-dama na relação com os filhos de Lula pode ser colocada na conta dela. Uma parte das confusões, dizem essas fontes, se dá porque os filhos também têm ciúme do pai.

Em meio à relação conturbada, nos últimos tempos houve momentos de aproximação. No Natal do ano passado, Lula estava com a primeira-dama e recebeu os filhos em São Paulo, à exceção de Lurian. As diferenças entre as duas são conhecidas há algum tempo, bem antes do episódio no Carnaval carioca. O mesmo não pode ser dito da filha de Lurian, Beatriz Lula, com quem Janja mantém uma relação próxima. “Elas se dão super bem, se adoram”, dizem amigos. Bia é mãe da única bisneta do presidente e frequentemente faz postagens nas redes sociais ao lado de Janja.

Quem presenciou a discussão entre Lurian e a primeira-dama no último fim de semana no Sambódromo, noticiada primeiramente pela jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, diz que Lula não interveio nem esboçou reação para defender a filha. Pelo contrário. Após a discussão que resultou na saída de Lurian da sala, chorando, Lula permaneceu “animado, feliz da vida”, aproveitando os desfiles das escolas de samba. Lurian queria conversar com o pai. Janja disse que aquele não era o momento adequado. “Aí o pau quebrou”, disse ao PlatôBR um dos presentes.

Não foi a primeira confusão entre madrasta e enteados. Outro episódio emblemático da difícil relação ocorreu em fevereiro de 2024, quando o filho caçula do presidente, Luís Cláudio Lula da Silva, foi às redes sociais criticar a exclusão do nome de sua mãe, Marisa Letícia, de uma publicação feita no perfil oficial de seu pai, na celebração aos 44 anos do PT.

Luís Cláudio atribuiu a “censura” a Janja. “Infelizmente tem acontecido umas coisas estranhas”, escreveu Luís Cláudio. “A história da minha mãe ninguém apaga, não”, protestou. O estresse só se desfez quando um funcionário do Planalto telefonou para o filho do presidente para assumir a decisão e dizer que a primeira-dama nada tinha a ver com a exclusão do nome de dona Marisa da publicação feita por Lula. 

Em outra oportunidade, em uma mensagem de WhatsApp cujo teor foi publicado pelo portal Metrópoles, Luís Cláudio xingou Janja e a chamou de “oportunista”. Amigos dos filhos do presidente dizem que eles se queixam com frequência da maneira como a primeira-dama os impede de ter contato com o pai e não fazem a menor questão de esconder que não gostam dela. Antigos amigos de Lula fazem coro às queixas porque, dizem, também são impedidos por Janja de se aproximar do presidente.