O jurista e desembargador aposentado Wálter Maierovitch, um dos principais especialistas em crime organizado no Brasil, lança no mês que vem seu novo livro, desta vez um mergulho na indústria bélica e sobre como ela tem no direito internacional uma de suas principais vítimas. Editado pela Unesp, “O mercado da morte” chega às livrarias no final de setembro. O lançamento será em grande estilo, no dia 26, na Biblioteca Mário de Andrade, joia da coroa de São Paulo.

“Esse livro parte de uma frase de um burocrata romano do final do século IV e início do século V, mas que é dita até hoje: ’Se queres a paz, prepare-se para a guerra’. Essa frase foi a porta que se abriu para a indústria bélica”, contou Maierovitch, em conversa com a coluna.

Em 2022, também com a Editora Unesp, o escritor ganhou o prêmio Jabuti com “Máfia, poder e antimáfia”.

“O mercado da morte” conta como a indústria da guerra permeia as relações entre os países e se ancora também em setores como a espionagem dos Estados. “Eu mostro a indústria bélica como produtora de violência e falo sobre o que está ligado a ela, como a espionagem, contando alguns casos do Mossad, a agência de Israel considerada a mais eficiente no mundo, inclusive casos que deram errado”.

É a partir dessa indústria extremamente lucrativa, que atende tanto o mercado oficial quanto o tráfico de armas, que Maierovith aborda o direito internacional.

“É a falência do direito internacional. Te dou dois exemplos: a guerra de conquista da Rússia contra a Ucrânia, sendo que a Constituição das Nações Unidas defende a soberania dos Estados, e a guerra entre Israel e o Hamas, em que você tem crimes de guerra, contra a humanidade.”

Nesses dois casos, explicou o jurista, instituições do direito internacional, como a ONU, estão sob extrema fragilidade.