O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência para tratar da resposta do governo brasileiro ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela. Lula ainda está na base da Marinha na Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, onde passou a virada de ano. Ele não descarta interromper o recesso e retornar a Brasília ainda neste sábado, 3. O presidente participará da reunião desta manhã por videoconferência.

A confirmação do ataque e da captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no início da manhã, por meio de sua plataforma, a Truth Social. A crise da Venezuela, que vinha sendo acompanhada de perto pelo Planalto e pelo Itamaraty, assume agora um caráter de urgência para o governo brasileiro.

A reunião de emergência ocorrerá no Itamaraty, às 10 horas. O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, também está de férias e, assim como Lula, deve participar por vídeo. O presidente pediu ao Ministério da Defesa uma avaliação sobre o cenário. Espera-se a divulgação de uma manifestação oficial do governo brasileiro após a reunião.

Repercussão
Vários líderes da região já se manifestaram. Os presidentes do Chile, Gabriel Boric, da Colômbia, Gustavo Petro, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel, condenaram a ação dos Estados Unidos. O presidente da Argentina, Javier Milei, comemorou o ataque e a captura de Maduro.

Por meio das redes sociais, a chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, informou que conversou com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Para ela, Maduro “carece de legitimidade”. Kallas defendeu uma transição pacífica na Venezuela. “Em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e a Carta da ONU devem ser respeitados. Apelamos à moderação”, escreveu.

Mesmo antes da manifestação oficial do governo brasileiro, pelo menos um integrante do primeiro escalão condenou o ataque. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que “nada justifica conflitos terminarem em bombardeio”. “Guerra mata civis, destrói serviços de saúde, impede o cuidado às pessoas. Quando acontece em um país vizinho, o impacto é múltiplo para o nosso povo e sistema de saúde”, disse Padilha, filiado ao PT.

O PCdoB, que integra a base do governo e é presidido pela ministra de Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, repudiou a ofensiva, que classificou de “criminosa”. O partido chamou a captura de Maduro de “sequestro”.