Tinha tudo para dar errado, e deu. A homenagem a Lula em pleno ano eleitoral, com o presidente em atividade, foi um afago ao petista, que viu sua épica história mais uma vez lembrada. E só.

Perdeu a Acadêmicos de Niterói, que caiu, honrando a tradição de escolas estreantes no Grupo Especial serem rebaixadas. E perdeu Lula.

Quando saiu o samba-enredo, em outubro, com aquele “treze noites, treze dias” e o “olê, olê, olá, Lula, Lula”, a coluna mostrou que já se desenhava uma encrenca. Mas o governo dobrou a aposta e, até as vésperas do desfile, tinha uma fila de ministros, parlamentares e Janja escalados para a Avenida.

Com medo da repercussão na Justiça eleitoral, o governo deu ordem para tirar todo mundo do desfile, e até Janja, que desfilaria no alto de um carro alegórico, desistiu. Mas já era tarde.

Nas redes sociais, a aprovação ao desfile foi bastante superior à crítica, mas durou pouco. Quando a oposição puxou a carta das latas de família em conserva, o jogo virou, e chegou a 70% o índice de menções negativas ao desfile.

Este foi o pior prejuízo para Lula, com a tal família tradicional brasileira rotulada de maneira negativa nas latas de conserva, a despeito do orgulho que sentem de se verem assim. São evangélicos e católicos conservadores que, tal qual toda família, têm um bando de esqueletos no armário, mas preferem ignorá-los e vestir o molde da família perfeita.

A crítica, do ponto de vista artístico, foi bacana e necessária. Mas, num ano eleitoral, em que o esforço do governo deveria ser para tentar diminuir o fosso que existe entre Lula e essa parte da população, Niterói mais atrapalhou do que ajudou Lula.

No Instagram, João Santana, ex-marqueteiro de Lula, cantava a bola, dias atrás. “Não sou Nostradamus nem Rasputin, mas, recorrendo à Teoria dos Jogos, me parece que se produzirá um cenário de soma negativa, onde todos saem perdendo”, disse.

Nem precisou do resultado da apuração na Sapucaí para dar razão a João Santana.