O encontro dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, na França, não deixou dúvidas: os gestos de um e de outro durante e depois da reunião de cúpula foram bem sintomáticos daqueles momentos de um relacionamento em que a química, enfim, acaba.

A cena do aperto de mão entre sorrisos nos bastidores de reunião do G7 em Évian-les-Bains pode até ter lembrado aquele momento da Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em setembro do ano passado, após o qual tanto Trump quanto Lula disseram ter sentido uma boa “química”.

Mas contexto de agora é bem diferente – e com sinais de que a relação minimamente amistosa de meses atrás retrocedeu. Se no ano passado Trump disse ver em Lula um “homem muito legal”, agora o classifica como “muito volátil”, em uma indicação clara de que a aproximação ocorrida após o anúncio do primeiro tarifaço não durou muito.

Também foram por água abaixo outros elogios feitos pelo republicano ao petista, como “dinâmico” e “um bom homem”.

Nesta sexta-feira, 19, ao ser perguntado sobre Lula em um programa da TV americana, Trump respondeu que não é uma questão de gostar ou não do presidente brasileiro.

“Para ser honesto, eu não penso nele. Eu realmente não penso nele. Não poderia me importar menos”, afirmou.

Foi o coroamento de novos desgastes que já estavam bastante visíveis nos dias que se seguiram ao encontro na França, dias antes. Ainda durante a viagem, Lula não fez muita questão de demonstrar simpatia e subiu o tom, dizendo que Trump “continua agindo como imperador” e não deve se meter nas eleições no Brasil.

Se por um lado a piora na relação pode ser prejudicial à economia brasileira, uma vez que diminui as chances de o novo tarifaço prometido pelos americanos ser revisto, por outro o estresse serve a Lula. Poderá ser usado pelo presidente brasileiro como atalho para retomar o discurso de defesa da soberania, já escolhido como um dos principais motes de sua campanha à reeleição.