O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, já traçou o roteiro que pretende seguir durante a campanha presidencial até o primeiro turno das eleições deste ano e decidiu deixar Brasília fora da lista de destinos.
A ausência do petista na capital faz parte da estratégia da campanha de evitar, neste momento, estados onde dois candidatos ao governo local disputam seu apoio. É o caso do DF, onde o presidente tem o apoio dos dois principais nomes do campo de esquerda na corrida ao Palácio do Buriti: Ricardo Cappelli (PSB), ex-interventor federal, e Leandro Grass (PT), ex-presidente do Iphan e candidato oficial do PT ao GDF. Situação semelhante ocorre em Pernambuco, onde Lula também é cortejado por Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB).
A decisão de deixar o DF fora da agenda de campanha pesa especialmente para Cappelli, que tem encontrado dificuldades para aparecer ao lado de Lula. Nome de destaque no início do terceiro mandato do petista, sobretudo na resposta do governo aos ataques de 8 de janeiro, o pessebista chegou a ser aconselhado por lideranças de esquerda a desistir da candidatura e aderir à construção de uma chapa competitiva contra a governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição, e o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), que aparecem à frente nas pesquisas. Cappelli, porém, decidiu manter a candidatura.
Grass também tem motivos para lamentar a ausência do presidente. O petista tem explorado nas publicidades eleitorais a fotografia ao lado de Lula, numa tentativa de reforçar a proximidade com o presidente. A falta de uma agenda conjunta no DF, contudo, não ajuda a impulsionar sua candidatura, que, assim como a de Cappelli, enfrenta dificuldades para ganhar tração nas pesquisas de intenção de voto.

