Mais uma vez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não teve uma conversa prévia com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sobre a indicação do nome do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) para a vaga do STF (Supremo Tribunal Federal). De acordo com o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça do Senado), Otto Alencar (PSD-BA), Lula o informou que mandou enviar a mensagem e somente “avisou Alcolumbre” de que havia formalizando a indicação anunciada em novembro do ano passado.

Otto Alencar é responsável por colocar em votação na CCJ a apreciação da indicação. Ele tem evitado comentar as circunstâncias que envolvem a indicação de Messias e disse que colocará o processo em andamento na comissão assim que Alcolumbre enviar a mensagem para a comissão. “Não costumo perguntar a nenhum senador como ele vai votar porque o voto é secreto. Eu me reservo muito em relação a isso porque trata-se de uma invasão da privacidade do senador”, disse.

Além disso, Otto Alencar afirmou que não conversou com o presidente do Senado sobre uma previsão de envio da mensagem para a comissão. “A indicação está com o presidente Alcolumbre e no tempo que ele desejar mandará para a CCJ”, disse Alencar.

O senador disse também que pretende conversar com Messias para acertar com ele o momento em que será submetido à sabatina. “Farei o processo regimental normal como todos os outros. Tem que ler a mensagem na CCJ, conceder vistas aos senadores e conversar com o indicado para ver o tempo que ele quer para ser sabatinado, tudo em um processo bem tranquilo, sem pressa”, disse o senador.

O fato de Lula não ter conversado com Alcolumbre sobre o assunto preocupa o entorno de Jorge Messias. Na terça, assim que Lula anunciou que faria o envio da mensagem ao Congresso, um nome ligado ao ministro chegou a dizer que não acreditava que o presidente formalizaria a indicação sem essa conversa prévia. 

Isso porque uma das reclamações de Alcolumbre foi justamente de ter sido pego de surpresa pelo anúncio de novembro, quando ele pretendia forçar a indicação do nome do senador Rodrigo Pacheco, seu aliado, para a vaga. A indicação agora ocorre de forma simultânea à filiação de Pacheco ao PSB para ser o candidato apoiado por Lula ao governo de Minas Gerais.