A longa espera para a definição do palanque do presidente Lula em Minas Gerais desaguou no anúncio, nesta segunda-feira, 20, da candidatura do deputado Patrus Ananias (PT) ao governo do estado. A busca pelo vice na chapa começou em seguida, durante um almoço com participação de dirigentes do PT com representantes do PSB, do PSOL, da Rede e do PCdoB. O PSB quer a vaga e tem pelo menos três nomes a oferecer.

Um deles é o de Jarbas Soares Júnior, ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, que chegou a lançar seu nome como pré-candidato ao governo. Jarbas deixou o Ministério Público em abril deste ano e é um grande aliado do senador Rodrigo Pacheco. Outra possibilidade é o ex-senador Clésio Andrade, que já foi vice-governador do estado no governo de Antonio Anastasia. Além deles, o nome do empresário Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar, também está na mesa.

Nessa equação, estão em disputa os interesses do PSB, do PT e de Lula. Jarbas é novo na política e não gostaria de ser vice, queria ser candidato a governador. Ele chegou a ouvir incentivos de petistas como José Dirceu, que o considerou o vice ideal no estado, mas não se convenceu. Andrade é o nome preferido do PSB local, mas Lula quer mesmo ter Josué Alencar como vice em Minas e, simbolicamente, reverenciar seu amigo e vice-presidente nos primeiros mandatos.

Além de garantir a união com o PSB no estado onde os dois partidos saíram combalidos após as administrações do petista Fernando Pimentel, o PT tem outros desafios importantes com a candidatura de Patrus. O primeiro é atrair aliados tradicionais que, em meio à indefinição, estavam em conversas com outras chapas. Um exemplo é a federação PSOL/Rede, que tinha um diálogo avançado com Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte e também pré-candidato ao governo.