Na esteira da crise do STF (Supremo Tribunal Federal), as duas principais campanhas presidenciais traçaram estratégias distintas para os próximos dias, diante da possibilidade de a corte decidir se abre uma investigação para apurar as relações de Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta se descolar do conflito, alegando que a busca por uma solução está sendo adequadamente tocada pelo presidente do tribunal, Edson Fachin, Flávio Bolsonaro, cuja condição de investigado foi realçada pela quebra de sigilo de uma parte dos autos do caso, busca explorar, entre outras coisas, o discurso de que é preciso dar transparência também às investigações do INSS, que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente e candidato à reeleição.

Ainda no final da semana passada, após a quebra de sigilo determinada por Fachin e cumprida por André Mendonça, Lula evitou comentários — de acordo com fontes próximas, a intenção é tentar “limpar o terreno para que a campanha possa ocorrer”. “Há mais de 40 dias o presidente vem atuando na defensiva, sem conseguir emplacar seu discurso de campanha. Até pautas como o fim da jornada 6×1 ficaram em segundo plano. Vai chegar a eleição e o país só falou da pauta policial”, queixou-se um aliado do petista.

A campanha de Flávio Bolsonaro, por sua vez, focou na estratégia de cobrar a quebra de sigilo de três inquéritos: 1) o das fake news, que foi tirado de Moraes por Fachin; 2) o que apura os descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, que tem Lulinha entre os alvos; e 3) o que apura desvio de emendas parlamentares, sob a relatoria de Flávio Dino. Sobre este último, o coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN) repete o argumento que o PT e o governo vinham usando para Mendonça e o caso Master: o de que é preciso evitar que Dino se utilize de “vazamentos seletivos” para prejudicar a campanha do candidato do PL.

A campanha petista reconhece a habilidade do entorno de Flávio em apontar fatos novos na crise do STF. Como resposta,  busca se municiar com documentos liberados por Mendonça na sexta-feira, 11. O comitê de Lula torce por uma exaustão da população em relação aos assuntos da crise do STF e tentará mudar a pauta — uma tarefa que parece difícil nos próximos dias, especialmente em razão da sessão marcada para esta terça, 15, para tratar do caso Moraes-Master. A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na sexta, 11, mostra um cenário apertado na disputa presidencial: Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 35% de Flávio Bolsonaro, enquanto no segundo turno persiste o empate técnico entre os dois.