A confirmação pelo Planalto do envio ao Senado nesta terça-feira, 31, da mensagem com a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no STF foi feita em um momento de expectativa de aprovação do nome escolhido por Lula. Pessoas próximas a Messias dizem acreditar que o pedido não chegaria ao Congresso sem uma conversa prévia do petista com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O próprio Messias buscará Alcolumbre para uma conversa. Com a indicação formalizada, ele pretende retomar ainda nesta semana a busca por apoio dos senadores. Dos 81 parlamentares que vão votar sua indicação, ele ainda precisa falar com cerca de dez senadores, entre eles nomes da oposição ao governo que aceitaram conversar somente depois da formalização por parte do presidente da República. Nesse rol estão o senador Sergio Moro (PL-PR) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato bolsonarista à Presidência.
Lula anunciou o nome de Messias no dia 20 de novembro do ano passado, mas segurou os trâmites legais para confirmar a indicação diante do risco de que ele não fosse aprovado pelos senadores. Esperava uma mudança do humor de Alcolumbre, que não gostou da escolha.
A indicação do chefe da AGU criou um forte atrito entre Lula e Alcolumbre (União Brasil-AP), que trabalhava para que o petista optasse pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O impasse entre os dois também paralisou as demais indicações do governo para cargos vagos em agências reguladoras, autarquias e outros órgãos públicos.
O envio da mensagem também ocorre em um momento em que Pacheco se filia ao PSB para ser o nome de Lula ao governo de Minas Gerais, fator que serviu também para mudar o ânimo de Alcolumbre em relação a essa questão.
“Humildade e fé”
Messias, após a reunião ministerial, declarou por meio de nota que seguirá na busca pelo diálogo e conciliação. Evangélico, ele buscou se colocar com “humildade e fé” na busca do voto. “Darei continuidade à minha jornada no Senado com humildade e fé. Buscarei novamente o diálogo com todos os senadores e senadoras, pois este é um momento que exige entendimento. Continuarei meu empenho pela pacificação e estabilidade. Como profissional do direito, sempre valorizei o diálogo e a conciliação como as melhores maneiras de resolver conflitos. Reafirmarei meu compromisso com essas credenciais”, disse o ministro, por meio de nota.