Ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) têm avaliado reservadamente que a reação pública do mercado financeiro em defesa do Banco Central — crítica ao TCU — no caso do Banco Master tende a produzir um efeito inverso ao pretendido.
Segundo ministros ouvidos pela coluna, críticas externas e tentativas de desqualificação do TCU podem acionar o espírito de corpo entre os membros do tribunal. Isto é: em vez de estimular questionamentos técnicos entre os ministros, reforçaria a união interna, mesmo diante de eventuais divergências sobre o mérito do processo e a atuação do relator, Jhonatan de Jesus.
Esses membros do TCU pontuam que, caso haja erro na condução do caso Master, o caminho mais eficaz seria a interlocução direta com os demais ministros, por meio de audiências formais, municiadas de argumentos técnicos.
Nessa segunda-feira, 5, Vital do Rêgo, presidente da corte de contas, oficializou a permissão para a realização de uma inspeção no BC destinada a apurar os procedimentos adotados na liquidação extrajudicial do Master, do encrencado Daniel Vorcaro.
O movimento provocou uma reação coordenada de entidades do sistema financeiro, como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e a Associação Brasileira de Bancos, que divulgaram nota pública em defesa da autonomia e das decisões técnicas da autoridade monetária.
