André Mendonça e Kassio Nunes Marques, os dois ministros indicados por Jair Bolsonaro ao STF, vão concentrar funções estratégicas no Supremo e no TSE neste ano eleitoral. O destaque vem da condução dos dois casos mais rumorosos da República e da chefia da Justiça Eleitoral durante as eleições de outubro.

Mendonça, que já era relator dos processos no STF relacionados às fraudes do INSS, também se tornou responsável pelo caso do Banco Master na Corte nessa quinta-feira, 12. O ministro vai substituir Dias Toffoli, que deixou a relatoria na esteira das revelações sobre suas relações com um fundo administrado por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, e da existência de mensagens entre o ministro e o banqueiro. 

Os desdobramentos dos dois escândalos sob responsabilidade de André Mendonça têm potencial explosivo e devem avançar em 2026 sobre os políticos que davam sustentação ao esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS e os que tinham parte na monumental e bilionária teia de Vorcaro.

É no âmbito do escândalo do INSS, por exemplo, que podem se aprofundar as apurações sobre a suposta relação entre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula, e Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, um dos principais rostos do esquema.

Investigações da Polícia Federal em 2025 rastrearam relações e negócios de Antunes com a empresária paulistana Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. Roberta foi alvo de mandados de busca e apreensão na fase mais recente da Operação Sem Desconto. O filho de Lula e o Careca do INSS estiveram no mesmo voo da Latam de Guarulhos para Lisboa, na primeira classe, em novembro de 2024.

No caso Master, são notórias as relações de Daniel Vorcaro e seu antigo banco com figuras poderosas da fauna de Brasília, de variadas orientações ideológicas. Por essa razão, o conteúdo das mensagens do seu celular, já acessado pela PF, deve em breve criar embaraços a gente graúda — e com foro privilegiado no STF. 

Já Kassio Nunes Marques, outro indicado por Bolsonaro ao Supremo, será o presidente do TSE durante o período eleitoral — tendo, aliás, André Mendonça como vice. Kassio vai assumir a função entre maio e junho, quando Cármen Lúcia deixará o comando da Justiça Eleitoral.