Mesmo tendo conversado com Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém o suspense sobre aceitar ou não o convite para integrar o “Conselho de Paz” proposto pelo presidente dos Estados Unidos para reconstruir a Faixa de Gaza.

No telefonema desta segunda-feira, 26, ao invés de dar uma resposta Lula sugeriu mudanças na composição e no escopo do colegiado. Propôs que Trump limite o conselho à questão de Gaza e preveja um assento para a Palestina.

O pedido do presidente brasileiro indica que a participação do Brasil ainda não foi descartada, apesar de haver, por parte de integrantes da diplomacia brasileira, certo ceticismo em relação à disposição de Trump de tornar o conselho mais plural.

Lula combinou com Trump de fazer uma visita a Washington, provavelmente após a viagem que fará à Índia e à Coreia do Sul, em fevereiro.

Na proposta do Conselho da Paz, os pontos que mais incomodam o governo brasileiro são o que prevê decisões centralizadas nas mãos de Trump e o que impede os países participantes de sugerir mudanças na forma de atuação do grupo.

Para o governo, a proposta vai na direção contrária ao multilateralismo, princípio perseguido historicamente pelo Brasil nas relações internacionais.

De acordo com nota divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula aproveitou o telefonema para reiterar “a importância de uma reforma abrangente das Organização das Nações Unidas, que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança”, reivindicação antiga do Brasil.

Na semana passada, Lula chegou a falar com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, também por telefone, sobre as perspectivas de reconstrução da região e sobre o plano de paz para a região.

A nota divulgada pelo Planalto após a conversa com Trump, que durou cerca de 50 minutos, diz que os dois presidentes trataram do tarifaço imposto pelo americano e “saudaram o bom relacionamento construído nos últimos meses”, em meio às negociações para a retirada das tarifas.