Mesmo preso desde dezembro de 2025 e proibido de usar suas redes sociais desde julho, Jair Bolsonaro continua ganhando dinheiro com sua conta no Instagram.

No perfil do ex-presidente é possível fazer uma assinatura, por R$ 7,90 ao mês, para ter acesso a “conteúdo premium”. Mesmo que Bolsonaro não publique mais esses materiais exclusivos, ele segue ganhando dinheiro com as assinaturas recorrentes.

É possível ver que existem 775 assinantes em seu perfil. Ou seja, considerado o valor mensal cobrado, Bolsonaro lucra pelo menos R$ 6,1 mil por mês com a ferramenta de conteúdo exclusivo da rede social.

Perfis do ex-presidente em outras redes sociais não oferecem a seus seguidores a possibilidade de assinarem conteúdos.

Especialistas em direito penal ouvidos pela coluna entende que a assinatura disponível no perfil de Jair Bolsonaro não configura desrespeito às medidas cautelares impostas por Alexandre de Moraes, uma vez que Bolsonaro não está efetivamente postando conteúdos.

O advogado Thiago Bottino, professor de Direito Penal da Fundação Getúlio Vargas (FGV), avaliou à coluna que publicações já disponíveis online não são alcançadas pelas medidas cautelares.

“Mal comparando, é como se ele tivesse publicado um livro e as pessoas continuasse comprando”, disse Bottino.

“A violação das medidas cautelares seria por ele usar as redes sociais. A monetização é uma coisa passiva e, nesse caso, não está explicitamente colocada na ordem do ministro Alexandre de Moraes”, pontuou um jurista que preferiu não ser identificado.

Procurado pela coluna, o advogado de Jair Bolsonaro, Celso Villardi, não respondeu. O espaço continua aberto a manifestações.